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110 anos de história, de memória, de impacto social e transformação na vida das pessoas

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Criado: Terça, 24 de Setembro de 2019, 12h31 | Última atualização em Quarta, 16 de Outubro de 2019, 18h05

Ao longo dos próximos meses, várias atividades serão realizadas na campanha comemorativa da Rede

Os 110 anos do Instituto Federal de Goiás (IFG) foram construídos de histórias, capítulos de vida alegres, tristes, difíceis, de luta, superação e conquistas. Hoje, a família “ifegiana” – fazendo referência à comunidade “ETfegiana” à época da saudosa Escola Técnica Federal de Goiás (ETFG) – é composta por mais de dois mil servidores e cerca de 17,5 mil estudantes. Ao longo desses anos, milhares de alunos passaram pelos muros da escola profissional e tecnológica, estudaram e se formaram numa instituição que se consolidou como um ambiente de formação educacional e humana. Há 10 anos, a atuação institucional ampliou seu papel, quando se tornou IFG, e perpassa para além da educação, com foco também na sustentabilidade, na acessibilidade, em ampliar formas de acesso ao ensino e à formação profissional, aproximando-se cada dia mais da população.

Entre as milhões de histórias que por aqui passaram, uma delas é a da “dona” Rosa. Estudante do curso técnico integrado em Secretaria Escolar, do Câmpus Anápolis, Rosa Maria Lopes resolveu estudar no IFG por “insistência do diretor”, como ela bem diz. “O diretor ficava correndo atrás de mim e dizia: -vem estudar dona Rosa. Aí eu me inscrevi, passei, vim pra entrevista, estou fazendo o curso”, afirma. Dona Rosa conta que aprendeu a se desenvolver mais, o que fez com que tudo na vida dela mudasse e ficasse diferente. No início, a aluna buscava uma história de vida melhor, mas acabou encontrando muito mais, como um local que oferecesse a ela muito apoio, “mudou a minha vida, graças a Deus. Um sonho, né?”, finaliza.

“Eu fiz do desafio a minha motivação e saí na frente”, comenta Janaína Martins.

A superação do preconceito e dos obstáculos por ser mulher foi uma das conquistas da egressa do curso de Engenharia Elétrica, do Câmpus Jataí, Janaína Martins. Em uma turma predominantemente de homens, ela conta que o caminho não foi fácil e que o desafio foi grande pelo fato de ela ser minoria. Para superar, a egressa conta sobre o que aprendeu na sua vida de acadêmica no IFG e a interferência na carreira profissional, e se diz satisfeita e preparada. “O ensino, por ser bastante técnico, é bem voltado para o mercado de trabalho, então, hoje, eu tenho essa segurança porque eu sei que o que é me exigido eu aprendi aqui na faculdade. E o Instituto dá um suporte pra gente, mesmo como ex-aluna eu nunca me senti desamparada”, diz.

Não apenas na vida acadêmica e profissional, mas o Instituto representa para alguns grupos minoritários uma efetiva formação cidadã, um reconhecimento que transcende questões de gênero ou raça. A possibilidade do uso do nome social, de enfim ser reconhecida como Helena, foi o que transformou a vida de Helena Ribeiro, estudante do técnico integrado em Biotecnologia, do Câmpus Formosa. Entre as áreas prioritárias do IFG, a inclusão e a diversidade são expressas em depoimentos de alívio como o dessa estudante, que ao longo da vida passou por complicações, preconceito, de gênero, raça e outros. “O IF me ajudou muito, inclusive na questão burocrática, com a mudança do nome. O IF me deu todo esse apoio, aqui meu nome é Helena. O IF constrói você em luta, porque acho que ser trans e estar em uma instituição federal, com uma educação qualificada, isso tudo já é resistência pra mim”, afirma.

Acessibilidade

Na área da educação para surdos, o destaque é para o curso de Pedagogia Bilíngue, voltado para a comunidade surda. A Língua Brasileira de Sinais é componente curricular obrigatório nos cursos técnicos integrados ao ensino médio na Instituição e optativo nos de nível superior. Quem tem a oportunidade de estudar em Libras, se formar e ter um curso superior não esquece. É o que conta a estudante de Cristiane Pereira Dias, do Câmpus Aparecida de Goiânia. Um longo caminho foi percorrido pela estudante, para ela conseguir chegar até aqui. Passou por instituições conhecidas como a Apae, onde teve que deixar de frequentar e diz que sofreu muito na época, pois parou de estudar, se comunicar, tendo um grande prejuízo na vida. Mas quando ficou sabendo do curso do IFG, viu uma oportunidade. “IFG é uma oportunidade muito grande que eu tenho, com vários tipos de pesquisa, os projetos, as disciplinas, o contato com os alunos surdos, tive uma aquisição de conhecimento muito grande”, conta.

"Essa arte é a que segura, a gente é que aguenta as pancadas, a arte é que move, a arte que é suporte pra todas essas tristezas da humanidade, é que nos salva, com a música, com a literatura”, afirma Jairo. 

Na cultura, o Instituto também tem presença marcada, com cursos voltados para artes e suas diversas linguagens. Uma delas, as artes visuais, foi o que motivou o estudante Jairo Ferreira Pinto a fazer o curso de licenciatura em Artes Visuais, no Câmpus Cidade de Goiás. Como artista popular, “que carrega a cultura popular”, ele diz que traz a arte em sua alma, em sua resistência. Ele saiu de Goiânia e foi para Goiás cursar a educação de jovens e adultos (EJA) para depois ingressar no curso superior. Fez quatro anos do técnico integrado em Artesanato, pois o que queria mesmo era a licenciatura. Mesmo já atuando como profissional da área, reconhece que o diploma seria importante. “Imaginei que seria uma oportunidade boa, aprendendo né, com as minhas habilidades estar aprendendo e ajudar nos cursos, né?", finaliza.

Essas são apenas as muitas histórias, os capítulos de vida de cada um que passa ou já passou pela antiga Escola Técnica e, hoje, Instituto Federal. Elas e outras podem ser conhecidas também em um documentário especial que o IFG preparou para lançar em comemoração aos seus 110 anos de existência, 110 anos de educação, 110 anos de ensino, pesquisa e extensão. E o atual reitor da Instituição, onde trabalha como servidor há 30 anos e já foi aluno, também tem o que contar. Orgulhoso de gerir uma instituição mais que centenária, Jerônimo Rodrigues da Silva carrega uma bagagem expressiva como gestor e, atualmente, é o presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal (Conif).

Segundo o reitor, “nestes 110 anos de existência, a Rede Federal teve um papel de importância estratégica no desenvolvimento econômico e social do nosso país. E nesses últimos dez anos, os Institutos Federais, os Cefets e o Colégio Pedro II, a partir de um modelo singular de instituição de ensino, pesquisa, extensão e inovação têm assumido o desafio de levar educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada a todas as mesorregiões brasileiras”, comenta. Orgulho mesmo é de “participar dessa história”, afirma Jerônimo, que parabeniza a todos que contribuem para a consolidação da Rede Federal de Educação Profissional, como um modelo de referência para o mundo.

Campanha

A comemoração não é apenas do IFG, mas dos demais 37 institutos federais do país, os dois Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR), as escolas vinculadas às universidades, que dão à Rede Federal a grandiosidade e imensidão de levar educação pública a mais de 1 milhão de estudantes. Por isso, o Conif lançou uma campanha dos 110 anos, com selo comemorativo e uma série de atividades de comunicação para mostrar ao brasileiro o que é essa rede, o que ela faz, quem faz parte dela, a repercussão dela na vida das pessoas e no desenvolvimento do país. Ao longo dos próximos meses serão produzidas reportagens especiais, vindas de todos os cantos e institutos do país, contando projetos de pesquisa, ensino e extensão. Nas redes sociais, as postagens vão usar a #Rede110Anos.

Um pouco mais de histórias....

 

“Quando eu estudava no IFG, eu cursava técnico em Química, eu queria fazer pesquisa, buscar sempre novidade. Na época saiu um edital de uma competição voltado pra segurança alimentar. Aí nós começamos a desenvolver nos próprios laboratórios do IFG fórmulas que agradassem o paladar, como cookies. Passamos a remodelar o projeto e utilizar uma base de cacau com extrato vegetal, ao invés de utilizar a lactose. Acredito que se eu não tivesse estudado no IFG eu não tivesse essa inovação”, conta Gustavo Henrique Amaral, ex-aluno do bacharelado em Química.

“Comecei em 1996, fiz teatro, dança. Em 1998, quando participei de um festival da instituição, aí eu disse – meu Deus, isso que quero fazer da minha vida. Tudo que sou aqui, tudo que sou hoje, nasceu nessa instituição, esse pátio... Hoje eu sou professor de iluminação cênica, sou professor de pós-graduação, sou iluminador cênico”, afirma Rodrigo Assis, ex-aluno do Técnico em Estradas.

Professora do Câmpus Goiânia Najla Franco Frattari

“Até me lembro que no primeiro ano, quando comecei a dar aula, eles me perguntaram o que eu queria, aí eu disse que queria mudar o mundo. Aí um aluno falou: - professora, não sei se você vai conseguir mudar o mundo, mas o meu mundo você mudou. Então, isso é a melhor coisa que tem”, conta a professora do Câmpus Goiânia Najla Franco Frattari, que também foi estudante do IFG.

 

Assista ao documentário dos 110 anos do IFG ( https://youtu.be/8OXyQbmcXno ). 

 

Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.