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INTERNACIONAL

Aluno de dança do Câmpus Aparecida faz intercâmbio de 3 meses na Alemanha

O Mestre Tadashi Endo será o orientador da residência artística.

  • Criado: Segunda, 10 de Julho de 2017, 17h18
  • Última atualização em Terça, 25 de Julho de 2017, 14h16
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Milton Aires, aluno do 5º período do curso de Licenciatura em Dança do IFG Aparecida de Goiânia, viaja nesta 4ª feira para a Alemanha, para uma residência artística de 3 meses, com um dos mais importantes mestres do Butoh no mundo, Tadashi Endo. A viagem e o projeto de estudo do paraense Milton, que já é um artista das artes cênicas aqui no Brasil e que hoje vive em Goiânia, conta com o apoio da Funarte e do Ministério da Cultura, por meio do edital Bolsa Funarte de Formação em Artes Cênicas 2016. Milton participou da seleção com o projeto “Dançar o Invisível: Intercâmbio Artístico em Butoh Dance-Theater”.

Segundo Milton, o objetivo do trabalho é o seu aprimoramento artístico nos métodos e práticas de dança-teatro. Para isso, o ator e bailarino ficará imerso no processo de aprendizagem e criação, utilizando para isso o estúdio de Tadashi Endo na Alemanha, o Butoh Centrum MAMU, situado na cidade de Göttingen. Durante o intercâmbio devem haver três experiências diferenciadas, sendo: Curso Intensivo de Butoh Dance-Theater; Ensaio e Criação Performática em Butoh; e temporada de apresentação de Butoh, no Junges Theatre Göttingen. A experiência resultará num espetáculo de celebração dos 25 anos de fundação do Butoh Centrum MAMU e aniversário de vida e de carreira artística do mestre Endo.

Em seu retorno ao Brasil, Milton precisará dar prosseguimento ao seu projeto, oferecendo contrapartidas para nossa arte. Entre elas, atividades formativas e informativas sobre as experiências obtidas na viajem. As trocas ocorrerão em duas capitais brasileiras, Belém (PA) e Goiânia (GO), através de oficinas e práticas em dança-teatro, com duração de uma semana em cada cidade.

O Butô

A dança-teatro “Butoh” ou butô como também pode ser chamada no Brasil, surgiu no Japão pós-segunda guerra mundial, oriundo das inquietações e desejos dos artistas japoneses Tatsumi Hijikata e Kazuo Ono, descendentes dos movimentos artísticos da Dança Expressionista Alemã e do Modern Dance que ganhavam o mundo em meados do século XX, propondo rupturas de fronteiras e paradigmas da dança e do teatro. O Butoh é inserido como movimento artístico de estética pós-moderna, por ser uma ação vanguardista e libertadora de preceitos e técnicas de dança. A dança vai se contaminando pelo mundo e ganhando ressonâncias em diferentes países na busca por revelar com o corpo os mistérios da vida. No Brasil, as visitas do artista Kazuo Ono, a partir da década de 1980, abriram espaço para um fluxo de intercâmbios que despertaram e despertam o interesse de diferentes artistas e grupos por esta linguagem transgressora e singular.

Tadashi Endo (discípulo de Kazuo Ohno)

Japonês residente em Göttingen, na Alemanha, ele é um desses artistas que mantém interesses e relações afetivas frequentes de trabalho com o Brasil. Hoje com 70 anos de idade e 50 de carreira, Mestre Endo ainda frequenta nosso país, participando de diferentes eventos e intercâmbios, além de realizar temporadas de seus espetáculos.

Sobre sua trajetória artística, na década de 1970 iniciou seus estudos em direção teatral, se aproximando de técnicas ocidentais, por meio do Instituto Max Reinhardt Seminar, em Viena. A partir de 1982, começou a fazer performances de dança com grandes músicos do jazz, como: T. Kondo, A. Takase, M. Sato, K. Umezu, St. Lacy, C. Bauer, P. Kowald, G. Sommer, U. Gumpert , G. Gebbia, Gunter Hampel. Em 1989 conheceu Kazuo Ohno e a partir de então começaram uma parceria que se estendeu por muitos anos. Em 1992, fundou o Butoh-Center MAMU na cidade de Göttingen, uma cidade universitária alemã.

O nome do instituto é a combinação de duas palavras do zen budismo, o MA e o MU, que juntas lembram as primeiras palavras proferidas por crianças. MU significa empitness (vazio), MA significa espaço entre as coisas, é o tempo entre o final de um movimento e início de outro. O Butoh-Center MAMU promove diversos cursos para os estudantes universitários de Göttingen, além do MAMU Festival.

Entrevista

Em entrevista para o portal do IFG, Milton explica seu projeto e sua viagem.

IFG: Milton, o que você irá fazer lá na Alemanha?

Milton: Farei um intercâmbio artístico, um vivência em um cena de dança-teatro bem singular entre as artes contemporâneas, a Dança Butô, que em suma é uma dança que prima por uma criação muito particular, própria, no sentido autoral e de movimentação por parte do intérprete. Então a viagem será uma pesquisa em "dança pessoal". O foco principal será restabelecer meu contato com o mestre japonês Tadashi Endo, e como nova experiência, conviver e trabalhar com ele no seu centro de estudo e criação, o Butoh Centrum MAMU, localizado na cidade de Göttingen.

Além disso, com a estadia no país, será possível circular por algumas cidades e vivenciar outras experiências em dança e teatro. Fazer aulas, ver espetáculos, mostras e festivais, exposições, trocar experiências diversas com as pessoas, enfim, aprender muito. E, é claro, será um período de intenso movimento e assimilação de uma nova cultura; Uma oportunidade para enriquecer o repertório pessoal e as paisagens na retina. Fotografar com o corpo e com a memória!

IFG: Explique a forma como você foi selecionado para esta bolsa.

Milton: No segundo semestre do ano passado a Fundação Nacional de Artes - FUNARTE, abril um edital para Residências em Artes Cênicas, para selecionar 19 artistas bolsistas que tivessem como proposta fazer uma formação artística em alguma escola ou com algum mestre. Inscrevi minha proposta e o projeto foi um dos finalistas entre as mais de 500 inscrições do Brasil inteiro. Foi uma grata surpresa ter sido aprovado, pois o desejo de realizar essa residência na Alemanha é um sonho que venho alimentando desde 2011.

IFG: Por quanto tempo você ficará em intercâmbio. Quando vai? Quando volta?

Milton: Serão 14 semanas de experiência, cerca de três meses. A viagem começa amanhã, dia 11 de julho, e a volta ao Brasil será no final do mês de setembro. Em Göttingen as atividades começam em julho e seguem até setembro. Depois teremos mais tempo circulando por alguns eventos em Berlim, Frankfurt e algumas outras cidades.

IFG. O que você trará de volta dessa experiência, para ser aplicado aqui, no seu trabalho e estudo, ou no trabalho e estudo junto a outras pessoas;

Milton: Com certeza muita novidade (risos). Espero trazer algumas experiências interessantes, aquilo que perceber como algo produtivo, algo que possa somar aqui. Certamente coisas que sejam produtivas para as artes cênicas de uma maneira geral. Sempre gosto de sair em busca daquilo que não conheço. Isso me move de certa forma. O desconhecido me move, principalmente aquilo que me atravessa artisticamente falando.

Uma coisa muito legal que vai acontecer na volta, será um processo de compartilhamento dessa experiência toda, por meio de um evento que é parte do projeto, que se chama "Espontâneas Trocas", onde serão ofertados: bate-papo, apresentação/demonstração artística e um workshop de Dança-teatro, com a ideia de dialogar e dividir esse conhecimento com os amigos, os artistas, e o público em geral. Entre outros desdobramentos da pesquisa, existe ainda uma criação artística em dança, a partir desse processo todo, que deve estrear no final do ano.  

IFG. Porque você fez essa escolha de ir trabalhar com o mestre Tadashi Endo?

Milton: A escolha é muito clara pra mim. Tive um choque cultural e de realidade muito grande quando fiz minha primeira formação com Tadashi Endo. Isso me levou a uma verticalização da minha experiência como ator, bailarino, artista cênico do corpo. Isso me levou a ir atrás de pesquisar e experimentar mais e mais sobre a linguagem capaz do corpo! Isso me levou a entrar em uma faculdade de dança... essa inquietação sobre a dança de cada um... e já se passaram 6 anos desde o primeiro contato. Sinto que chegou o momento de ir atrás, de reencontrar o mestre e me debruçar sobre novas questões.

IFG. Quem são os apoiadores que estão garantindo sua viagem e estadia

Milton: O intercâmbio tem apoio do Ministério da Cultura e da Fundação Nacional deArtes, por meio da Bolsa Funarte para Formação em Artes Cênicas 2016. Por outro lado estou contando também com o apoio do curso de Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Goiás, instituição à qual sou ligado atualmente, como aluno do 5º período do curso de dança.

 

Coordenação de Comunicação Social e Eventos / IFG Aparecida de Goiânia.

 

 

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