Estudante obtém nota máxima em TCC sobre potencial agroecológico do cajá-manga anão
Pesquisa em Ciências Biológicas destaca a espécie como alternativa sustentável para a agricultura familiar no Cerrado
Em uma semana marcada ativamente por bancas de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Câmpus Formosa do Instituto Federal de Goiás (IFG), uma das apresentações se destacou dentre tantas pesquisas de interesse da comunidade. Na noite do dia 21 de janeiro, a estudante Maria Eduarda de Jesus Pereira, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, realizou a defesa de seu TCC no Laboratório de Ensino. A apresentação ocorreu às 19h30 e resultou em aprovação com nota 10, atribuída pela banca examinadora.
Intitulado “Avaliação do Potencial Agroecológico do Cajá-manga anão – Spondias dulcis Parkinson (Anacardiaceae)”, o trabalho foi orientado pelo professor Marcos Augusto Schliewe e avaliou características morfológicas, fenológicas e germinativas da espécie, com foco em sua integração a sistemas produtivos sustentáveis, especialmente no contexto do Cerrado.
A banca foi composta pela especialista em Atendimento Educacional Especializado (AEE), Áurea dos Santos Gobira; e pelos professores da área de Geografia, Oberdan Quintino de Ataídes, e da área de Linguagens, Gláucia Mendes da Silva. Após a apresentação e a arguição, os avaliadores atribuíram nota máxima ao trabalho, reconhecendo a consistência da pesquisa e a qualidade da exposição realizada pela estudante. De acordo com a professora Glaucia Mendes, a concluinte apresenta “organização, determinação e foco”.
Relevância Social
O TCC de Maria Eduarda destacou o cajá-manga anão como uma espécie estratégica para a agroecologia e a agricultura familiar, em razão de seu porte reduzido — entre 0,5 e 3 metros —, facilidade de manejo e capacidade de florescer e frutificar durante grande parte do ano.
Os resultados apontaram ainda que a espécie apresenta boa adaptação ao clima do Cerrado, utilizando a perda parcial das folhas como estratégia de sobrevivência ao estresse hídrico. Nos testes de germinação, foi observado um índice inicial de 40%, com um dado relevante: a possibilidade de surgirem até cinco plântulas a partir de um único endocarpo, característica que amplia significativamente o potencial de produção de mudas.
A pesquisa também contribui para o debate científico ao propor a reclassificação do fruto, tradicionalmente descrito como drupa, para o tipo baga, considerando a presença de mais de uma semente por fruto, em consonância com a literatura clássica da morfologia vegetal.
Acompanhamento
A defesa do TCC teve um significado especial para a comunidade acadêmica do Câmpus Formosa. Durante toda a graduação, Maria Eduarda contou com o acompanhamento do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE), que atuou de forma contínua no apoio pedagógico especializado e na mediação de estratégias junto aos docentes, garantindo as adequações necessárias ao seu processo formativo. "O NAPNE É muito importante para ajudar as pessoas com necessidades específicas, porque sem ele seria muito difícil e não iria entrar alunos com dificuldade no IFG", declarou a concluinte.
A conquista foi celebrada especialmente pelas integrantes da banca Áurea Gobira e Gláucia Mendes, que também atuam no NAPNE e acompanharam de perto a trajetória da estudante ao longo do curso.
Após a divulgação do resultado, Maria Eduarda agradeceu ao orientador, professor Marcos Schliewe, pela dedicação e acolhida durante o desenvolvimento da pesquisa. Em retorno, o docente destacou que orientá-la “foi um grande aprendizado, pois houve uma troca de conhecimentos durante o processo, não apenas científico, mas humano”.
Em clima de emoção e reconhecimento, os presentes ressaltaram que a defesa representa um marco coletivo, evidenciando que o trabalho conjunto, o respeito às diversidades e a educação inclusiva fazem diferença concreta na formação dos estudantes.
Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Formosa
