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EDUCAÇÃO

Artigo de professores do Câmpus Formosa sobre uso supervisionado de inteligência artificial na educação é publicado em revista renomada

Publicado: Segunda, 08 de Junho de 2026, 21h25 | Última atualização em Segunda, 08 de Junho de 2026, 23h03

Estudo apresenta conceitos inéditos de “protagonismo estudantil digital”, “temáticas empreendedoras inovadoras” e “recursos digitais ativos e passivos”

imagem sem descrição.

Dois professores do Câmpus Formosa do Instituto Federal de Goiás (IFG), Diego Alves Rodrigues e Mario Teixeira Lemes, guiados pelas suas experiências com o ensino e conhecimento das áreas de química e informática, tiveram artigo científico publicado na última edição da Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância (RBAAD). A revista é classificada com Qualis A2, a segunda maior classificação de periódicos científicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

O artigo “Uso de ambientes virtuais de aprendizagem, inteligências artificiais e temáticas empreendedoras inovadoras no ensino de química” tem relação direta com o trabalho desenvolvido por Diego Rodrigues frente à Coordenação da CRIAR Incubadora do Câmpus Formosa e suas atividades de ensino. A partir de observações realizadas durante o desenvolvimento do projeto de extensão “Ações interdisciplinares socioempreendedoras de sensibilização, prospecção e pré-incubação regional do Núcleo Incubador do Câmpus Formosa” com estudantes dos cursos Técnico Integrado em Biotecnologia e Saneamento e Licenciatura em Ciências Biológicas, Diego pôde dar início à pesquisa, ainda em 2024.

“As diferentes tecnologias educacionais podem ser integradas em uma proposta pedagógica capaz de transformar um ambiente. O estudante é um agente ativo da construção do conhecimento”, afirma o professor Mario Lemes.

Na época, o professor era um dos alunos do curso de Especialização em Tecnologias Educacionais e Educação a Distância, proposto pelo IFG em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi pensado a partir das atividades desenvolvidas com a CRIAR e a sala de aula. “Fiz esse mix, essa integração do trabalho desenvolvido ao longo dos quatro anos na coordenação do CRIAR Núcleo Incubador Formosa e do trabalho que eu desenvolvi em sala de aula, com as tecnologias educacionais, utilização dos AVAs, os ambientes virtuais de aprendizagem, como no nosso caso, o Moodle, as temáticas empreendedoras, inovadoras, que a gente abordou transversalmente nos projetos de extensão, que os alunos também participaram”, esclareceu Diego.

O artigo publicado recentemente conta com a participação do professor de informática do Câmpus Formosa, Mario Lemes, que deixou suas contribuições técnicas acerca das inteligências artificiais (IAs) ChatGPT, Gemini e Copilot. “A informática é um pilar central, mesmo que o foco principal tenha sido o ensino de química. Ela aparece como um elemento mediador que vai conectar os estudantes, os professores, o conteúdo e até as práticas empreendedoras”, justificou Lemes. “Grande parte das metodologias propostas foi baseada nos recursos computacionais. Ela foi importante para viabilizar os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), para permitir o uso de IA, também para utilização dos softwares educacionais e para apoiar os projetos empreendedores”, concluiu. 

Estudantes desenvolvem metodologias propostas por Diego

Estudantes desenvolvem proposta do professor Diego

Pesquisa

Em sala de aula e durante a aplicação do projeto de extensão, Diego utilizou AVAs, IAs e Temáticas Empreendedoras Inovadoras (TEIs) para propor aos estudantes de Biotecnologia e Saneamento um trabalho final: a criação de uma empresa fictícia baseada em conceitos químicos estudados, com o auxílio de IAs e da plataforma Canva. Após as observações, ele extraiu a percepção dos estudantes sobre o uso da metodologia adotada, das tecnologias educacionais e como isso se refletiu na aprendizagem empreendedora.

“De modo presencial, o professor vai acompanhar os desafios e os trabalhos propostos aos alunos mediante o uso crítico e ético das respostas obtidas pela inteligência artificial”, explicou um dos autores do artigo, Diego Rodrigues.

O estudo verificou que, os estudantes podem apresentar um melhor engajamento na disciplina de Química com o uso de AVAs e de ferramentais digitais. Além disso, as inteligências artificiais podem ajudar na elaboração de conteúdos e na resolução de desafios educacionais; e as temáticas empreendedoras e de inovação permitem que a ciência seja relacionada a problemas da sociedade e do mercado.

 

Novidades

O resultado da pesquisa levou a conceitos inovadores na educação, como “protagonismo estudantil digital”, “recursos digitais ativos protagonistas e passivos coadjuvantes”, “propostas pedagógicas empreendedoras” e “temáticas empreendedoras inovadoras”. Baseado nos teóricos Vygostsky, José Manuel Moran, Klaus Schwab, David Paul Ausubel e outros da área, Rodrigues e Lemes definiram os termos (veja quadro abaixo).

CONCEITO

SIGNIFICADO

Protagonismo Estudantil Digital

Processo atitudinal dinâmico, colaborativo, proativo, carregado de interação social e digital, mediado por tecnologias digitais, que propiciem a personalização da aprendizagem ativa e significativa dos indivíduos para a atuação crítica frente ao conhecimento científico e as tecnologias disponíveis em determinado momento socio-histórico.

Recursos Digitais Passivos Coadjuvantes

Conjunto de atividades dentro dos AVAs que necessitam de habilidades de leitura e interpretação, sendo de fundamental importância no conhecimento, entendimento e aplicação de conceitos científicos presentes em um processo dinâmico de ensino-aprendizagem de forma autônoma e atemporal, mediante o uso de salas de aulas virtuais.

Recursos Digitais Ativos Protagonistas

conjunto de atividades em um AVA que necessitam de habilidades como visualizar, refletir, assistir, praticar, criar soluções, resoluções de problemas, escrever, produzir textos, comentários, respostas, debates, avaliações e sínteses; bem como a habilidade de se expressar na oralidade compartilhando conhecimentos socialmente.

Propostas Pedagógicas Empreendedoras (PPEs)

Ações pedagógicas  que  estimulem,  mediado  pelo  conhecimento  científico,  o  desenvolvimento  de competências e habilidades como criatividade, resolução de problemas, pensamento estratégico, com a prática de aplicar o conhecimento científico de forma criativa, proativa e protagonista; sejam em projetos, experimentos, soluções inovadoras ou na proposição de negócios e empreendimentos inovadores.

Temáticas Empreendedoras Inovadoras (TEIs)

Temáticas empreendedoras diversas, que de modo transversal e integrado ao conhecimento científico, propiciem discussões e reflexões quanto a conceitos e metodologias empreendedoras, estimulando soluções inovadoras a situações contemporâneas e desafios sociais, que ao mesmo tempo estimulem o protagonismo estudantil, utilizando de competências e habilidades específicas para atuações críticas e proativas.

 

Diego pontua que os termos são novos na educação e que há uma escassez de produções científicas sobre o uso de inteligências artificiais: “Há esse certo receio da área de educação em trazer essas temáticas para a discussão, devido a questões capitalistas, devido a uma série de questões ideológicas mesmo”. “A educação empreendedora, juntamente com o uso das inteligências artificiais dentro de sala de aula, são temas novos, então a gente trouxe à discussão temas inovadores”, complementou.

Diante dos resultados, o estudo aponta caminhos para a educação: inteligências artificiais passam de algozes a aliadas no processo ensino-aprendizagem; professores se tornam mediadores críticos; estudantes são protagonistas da sua própria instrução digital;  empreendedorismo entra de vez para o cenário educacional como propulsor de competências e novos conceitos são elaborados para discussões educacionais contemporâneas.

 

Revista

A Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância (RBAAD) é uma publicação científica eletrônica de abrangência internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) voltada à pesquisa e às inovações em educação digital, híbrida e a distância.

 

Confira aqui o artigo “Uso de ambientes virtuais de aprendizagem, inteligências artificiais e temáticas empreendedoras inovadoras no ensino de química”.

 

Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Formosa

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