EGRESSO

Egressos do Câmpus Formosa criam solução de inteligência artificial para auxiliar produtores rurais

Por trás do RuralZap está uma trajetória construída em sala de aula, eventos de inovação, desafios empreendedores e experiências que aproximaram tecnologia e agronegócio

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  • Publicado: Quarta, 03 de Junho de 2026, 18h26
  • Última atualização em Sábado, 06 de Junho de 2026, 10h19
Equipe com estande do RuralZap na Agrobrasília 2025
Equipe com estande do RuralZap na Agrobrasília 2025

Muitos acreditam que, para construir uma trajetória empreendedora, é necessário começar com uma empresa pronta. Nem sempre isso acontece. Às vezes, os momentos pitorescos e aparentemente despretensiosos do cotidiano acadêmico – uma conversa com os colegas, a participação em eventos de inovação, oficinas ou desafios que despertem a vontade de solucionar problemas – podem ser o início de um caminho voltado à inovação e sucesso. Foi assim com os egressos do curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Câmpus Formosa do Instituto Federal de Goiás (IFG), Erik Takeshi Miura, Naoki Rafael Miura, Sara Cândido Fernandes e Victor Hugo Sales dos Reis, sócios e fundadores do RuralZap.

O ambiente acadêmico e objetivos semelhantes foram muito importantes para o encontro dos quatro jovens no IFG. Os irmãos Miura cursaram o ensino médio no Câmpus Formosa. Os dois ingressaram no ensino superior junto com Sara e, quando estavam no 5º semestre, chegou Victor Hugo, para completar o time. Eles se conheceram em um dos muitos eventos que participaram. “Desde muito pequeno eu tinha o sonho de empreender. Mas nesta vida é muito difícil encontrar pessoas que têm essa ambição, essa força de vontade para entrar num caminho que é tão difícil. Aqui [no IFG] eu descobri pessoas incríveis, com que a gente acabou formando sociedade, e também o Núcleo Incubador de Formosa, que visava fortalecer essa veia empreendedora nas pessoas da comunidade”, relatou Victor Hugo.

Campeões na Maratona de Negócios promovida pelo Sebrae

“Estudamos no Ensino Médio e no superior aqui, no Instituto Federal de Goiás (IFG), e isso foi muito importante para a nossa trajetória, pois nos deu, além da base técnica, a base social e comportamental para enfrentar os desafios de empreender”,  declarou Erik Takeshi Miura.

A equipe se consolidou com a participação em um dos maiores eventos de tecnologia, a Campus Party Goiás, em 2024. Por intermédio do IF, o grupo participou do desafio Maratona de Negócios, promovido pelo Sebrae, de onde saiu vencedor. “No evento surgiu aquela chama empreendedora e a gente decidiu que saindo dali iríamos montar a nossa empresa, e o céu é o limite”, explicou Victor. “Saímos de lá com a amizade fortalecida, com a visão de ‘saindo do IF, a gente vai abrir um CNPJ’. Um mês depois que a gente se formou, o CNPJ estava aberto”, contou Takeshi.

Aprender a empreender fez parte da formação. Todas as oficinas, palestras, eventos, atividades com o Sebrae, metodologias de negócios e desenvolvimento de modelos de negócio ensinaram o “caminho das pedras”. “Tivemos que aprender a lidar com a área financeira, de administração, de vendas, de suporte com o cliente, e principalmente a parte comportamental, de lidar com pessoas, de gerenciar as emoções. Aprendemos toda essa mentalidade que forma o empreendedor”, explicou Naoki. “Fortalecemos a nossa veia empreendedora, praticando mais, vivendo mais, mês após mês”, complementou.

 

Incubadora

Encontro de núcleos incubadores e empresas juniores de diversas instituições

A CRIAR Incubadora do Câmpus Formosa, que completa 4 anos neste mês de junho, foi fundamental para solidificar a base de conhecimento da equipe. “Ela nos abriu as portas e nos trouxe uma visão empreendedora por meio de oficinas e palestras”, justificou Takeshi. “A gente estudava aqui no ensino superior e, como bolsistas, vimos a incubadora nascer, desde quando não tinha nada de projeto, nada de estruturação ainda”, lembra o analista de sistemas.

Algumas iniciativas da incubadora que contribuíram para a formação e o encontro dos empreendedores foram a realização de oficinas com o Sebrae durante alguns meses para desenvolver uma empresa em etapas, participação em eventos e promoção de maratonas de empreendedorismo. Muito mais que formação, a incubadora ofereceu um ponto de encontro, fusão de ideias, proporcionando oportunidades. “Essa conexão veio muito forte numa conversa que a gente teve aqui no Núcleo Incubador. A gente conversou sobre negócios, empreendedorismo, visão.  O Núcleo teve muito esse papel de juntar a gente”, declarou Victor.

 

Bagagem

Equipe recebendo premiação máxima no Desafio Agrostartup 2025

A aprendizagem vai muito além das paredes da sala de aula, com a experimentação sendo uma grande aliada. Desta forma, experimentando, o grupo alcançou resultados de destaque no cenário goiano: 1º lugar na Maratona de Negócios do Sebrae na Campus Party Goiás 2024; 1º lugar no Startup Day da Iesgo; 1º lugar na Marathon de Ideias Inovadoras; 1º lugar no Desafio Agrostartup e Desafio de Machine Learning.

Todas as premiações presentearam a equipe com experiências repletas de conhecimento. “Ao participar de iniciativas como o Desafio Agrostartup, você consegue desenvolver diversas habilidades, sejam elas em cooperação, como trabalho em equipe, e até mesmo seu discernimento para resolução de problemas. E isso tudo auxilia no desenvolvimento de empatia, quando você começa a trabalhar em busca de uma meta em comum com outras pessoas”, pontuou Sara.

 

Produto

Após esse tempo, Takeshi, Sara, Naoki e Victor Hugo acumularam experiência suficiente e passaram a aplicar o aprendizado na criação de soluções tecnológicas para problemas reais do agronegócio. Eles criaram o RuralZap, um assistente financeiro com funcionamento pelo whatsapp, que auxilia a gestão financeira de fazendas, utilizando a inteligência artificial. “A gente percebeu que o produto tinha potencial para se tornar uma startup quando foi a campo e aplicou pesquisas para saber se essa dor realmente estava presente no meio rural. Validando isso, vimos que tinha potencial para se tornar uma empresa”, contou Victor.

O produto surgiu a partir de uma dor detectada. “O problema do agro que o RuralZap busca resolver é a falta de clareza e de organização financeira que se encontram em muitas propriedades rurais. Hoje, no Brasil, mesmo em propriedades de médio ou grande porte, muitas ainda não têm um balanço gerencial assertivo”, analisou Sara. A comunidade do agro pode obter mais informações sobre o produto em www.ruralzap.com.br .

 “A tecnologia e o agro combinam muito porque a tecnologia visa trazer simplicidade, praticidade e eficiência, e o agro precisa disso, para produzir mais, produzir melhor e com mais qualidade”, revelou Victor Hugo. 

 

Inspiração

De acordo com Naoki, todo o processo de construção veio acompanhado do medo: “O nosso maior medo no início foi, com certeza, de não dar certo, de falhar. Ainda mais que a gente está nesse momento saindo da faculdade, iniciando a vida adulta, as responsabilidades vêm e a gente começa a pensar ‘será que estamos tomando o caminho certo?’, ‘será que isso aqui é o que realmente vai funcionar?’”. No entanto, o apoio da família e a participação nos desafios deixaram o medo em segundo plano e não permitiram que o grupo desistisse. “A gente se manteve firme. Eu tive o apoio da minha família, que foi muito importante. Todo desafio que a gente ganhava era uma grande inspiração, reascendia a chama que impulsionava a gente a continuar”.

Aos estudantes que têm ideias, mas ainda não tiveram coragem de colocá-las em prática, Takeshi aconselha: “Tem muitas ideias que não saíram do papel por medo – medo de fracassar, medo de julgamento ou medo de estar pronto. Vocês nunca estarão prontos de verdade. Então, apenas comecem. E a juventude é o melhor momento para começar, para se arriscar, porque é quando a gente tem disposição, energia e tempo”. Para Victor Hugo, o segredo está na execução: “Eu costumo dizer que não existe exatamente uma boa ideia e uma má ideia. Existe a ideia que é colocada em prática e desenvolvida”.

Equipe RuralZap e coordenador da CRIAR Incubadora do Câmpus Formosa

 

Desafios

Para o grupo, participar de desafios e projetos de inovação pode mudar o futuro profissional de um estudante.  “Neles você pode descobrir novas paixões, desenvolver novas habilidades e se conectar com ecossistemas que, sem eles, poderia ser de muito difícil acesso”, declarou Takeshi. Por fim, Victor Hugo complementa, dizendo que “participar do Desafio vale muito a pena porque lá você tem acesso a um ambiente de inovação, ecossistema com uma rede de pessoas que estão dispostas a te ajudar. Então, mesmo que você não se sinta preparado ou até que você não se imagine empreendendo na sua vida, essas pessoas irão te mostrar que, sim, é possível, e que você tem um mar de oportunidades pela frente”.

 

Serviço

Workshop AgroStartup 2026

Data: 13/6/26 - sábado

Horário: 8h30 às 13h

Local: Bloco Tecnológico - IFG/Câmpus Formosa

Inscrições abertas até 8/6: https://forms.gle/B624pVs7v2MuEf4z5    

Vagas Limitadas

 

Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Formosa