Pesquisa

IFG recebe nova patente referente à produção de biocombustível sólido de biomassa

Instituição alcança nove cartas-patentes concedidas pelo INPI. Outros 11 pedidos foram depositados e aguardam aprovação

  • Imprimir
  • Publicado: Quarta, 11 de Março de 2026, 16h39
  • Última atualização em Quarta, 11 de Março de 2026, 16h41
Nona patente do IFG

 

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) concedeu ao Instituto Federal de Goiás (IFG) uma nova carta-patente. Intitulada “Biocombustível sólido de biomassa oriunda de biodigestão aeróbia e respectivo processo de produção”, ela foi registrada sob o número BR 102021026827-1 e tem validade de 20 anos. Isso significa que o IFG tem direitos exclusivos de exploração e utilização da tecnologia desenvolvida por seus pesquisadores.

Essa foi a nona carta-patente recebida pelo IFG, o que demonstra uma trajetória crescente na geração de conhecimento aplicado e na proteção de tecnologias desenvolvidas institucionalmente. Segundo dados da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (ProPPG), entre 2013 e 2026, a instituição registrou 20 comunicados de invenção, posteriormente convertidos em 20 depósitos de pedidos de patente junto ao Inpi.

A mais recente patente recebida pelo IFG refere-se a uma solução inovadora para o reaproveitamento de resíduos orgânicos, transformando restos de alimentos em biocombustível sólido com elevado potencial energético.

O processo desenvolvido utiliza biodigestão aeróbia controlada, na qual resíduos alimentares — como cascas de frutas e vegetais, sobras de refeições e outros materiais orgânicos — são triturados e combinados com materiais ricos em carbono, como serragem. A mistura passa por um processo de degradação biológica em ambiente fechado com inserção contínua de ar pressurizado, permitindo que microrganismos aeróbios decomponham a matéria orgânica ao longo de aproximadamente 14 dias.

Como resultado, obtém-se um biocomposto estabilizado, com propriedades físicas semelhantes às do húmus e com características adequadas para uso energético. Ensaios laboratoriais indicaram valores de poder calorífico superior entre 15,46 e 17,47 MJ/kg, comparáveis a diversas biomassas energéticas utilizadas na indústria, como casca de coco e de arroz.

Além da eficiência energética, o material apresenta baixo teor de enxofre, inferior a 0,2%, o que reduz a formação de poluentes atmosféricos durante a combustão. Essas características permitem que o biocombustível seja utilizado em sistemas de geração de calor, fornos industriais, caldeiras e outras aplicações que empregam combustíveis sólidos de biomassa.

Sustentabilidade

 processo também contempla a peletização da biomassa, etapa na qual o biocomposto obtido é misturado a um blend de gorduras de origem animal (bovina e suína) que atuam como aglutinantes, permitindo a formação de pellets resistentes ao transporte e ao armazenamento, adequados para geração de energia térmica e potencial conversão em energia elétrica.

A tecnologia traz uma contribuição relevante para o enfrentamento de um dos grandes desafios ambientais contemporâneos: a gestão adequada dos resíduos orgânicos. Estima-se que cerca de metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no mundo seja composta por matéria orgânica, frequentemente destinada a aterros sanitários ou lixões, o que gera emissões de gases de efeito estufa e desperdício de recursos.

Inventores

A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Energia e Meio Ambiente do Câmpus Inhumas do IFG, criado em 2015 para apoiar estudos voltados à valorização energética de resíduos e ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, e conduzida por pesquisadores do Grupo de Estudos em Energias Renováveis e Ambiente (Geera).

A patente tem como inventores os pesquisadores Fernando Pereira de Sá, Elisangela Cardoso de Lima Borges, Luciana Lopes Kuramoto Moreira, Lara Lysse Vieira de Souza e Marcos Aurélio Leandro Alves da Silva, com a titularidade do IFG.

A proteção da propriedade intelectual é uma etapa fundamental no processo de inovação, porque permite que as tecnologias desenvolvidas no ambiente acadêmico possam ser transferidas para a sociedade por meio de parcerias com empresas, licenciamento ou outros mecanismos de transferência de tecnologia. Por isso, o IFG atua para fortalecer a cultura de inovação e incentivar a proteção dos resultados de pesquisa produzidos em seus laboratórios e grupos de pesquisa.

 

Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.