Ensino

Projeto capacita licenciandos para criação de materiais didáticos com impressão 3D

Recursos didáticos produzidos passam a integrar o novo Laboratório Maker de Matemática e Física do câmpus

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  • Publicado: Quarta, 12 de Agosto de 2026, 14h18
  • Última atualização em Quarta, 12 de Agosto de 2026, 19h15
Licenciandos de Matemática e Física do Câmpus Goiânia do IFG desenvolvem materiais didáticos com impressão 3D durante atividades do projeto de ensino que deu origem ao novo Laboratório Maker de Matemática e Física (LAMMAF).
Licenciandos de Matemática e Física do Câmpus Goiânia do IFG desenvolvem materiais didáticos com impressão 3D durante atividades do projeto de ensino que deu origem ao novo Laboratório Maker de Matemática e Física (LAMMAF).

O uso da impressão 3D inova o ensino junto aos licenciandos de Matemática do Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG). Desenvolvido no primeiro semestre deste ano, o projeto de ensino "Formação de Pibidianos de Matemática para a Produção de Materiais Didáticos com Impressão 3D" capacitou estudantes para a criação de recursos pedagógicos destinados ao uso em sala de aula na educação básica.

As atividades tiveram início em 13 de abril deste ano, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), e contaram com apoio institucional por meio da concessão de duas bolsas de monitoria. Os estudantes bolsistas auxiliaram na organização das oficinas, operação das impressoras 3D e acompanhamento dos participantes durante todo o projeto.

Professor e coordenador do projeto de ensino, Luciano Duarte, orientou licenciandos do curso de Matemática do Câmpus Goiânia na produção de materiais didáticos com uso de impressão 3D.

Segundo o professor Luciano Duarte, coordenador do projeto de ensino e do PIBID da Licenciatura em Matemática do Câmpus Goiânia, a ação envolveu inicialmente 25 licenciandos, dos quais 20 concluíram todas as etapas da formação, incluindo a produção de materiais didáticos e a apresentação dos projetos finais.

“O projeto foi estruturado com base nos princípios das metodologias ativas, colocando os licenciandos como protagonistas do processo de aprendizagem. Durante as oficinas, os participantes modelaram objetos tridimensionais, operaram impressoras 3D, solucionaram problemas técnicos, produziram recursos didáticos e elaboraram projetos voltados à educação básica”, explica o professor Luciano Duarte.

Segundo ele, a iniciativa favorece o desenvolvimento da cultura maker, da criatividade, da colaboração e da integração entre teoria e prática, contribuindo para a formação de professores capazes de utilizar tecnologias digitais e metodologias inovadoras em sala de aula.

Recursos didáticos produzidos

Durante as oficinas, os participantes produziram diversos materiais didáticos com impressão 3D para aplicação em atividades pedagógicas na educação básica, como: jogos da velha com multiplicação, jogos da tabuada, jogos da memória com conteúdos matemáticos, cartas para resolução de problemas, réguas impressas em 3D, materiais para o estudo da área do triângulo e de conjuntos, modelos da Relação de Euler, sólidos de revolução, recursos voltados ao letramento em Braille e um modelo do Disco de Newton para o ensino de Física.

“Esses recursos foram concebidos para tornar as aulas mais concretas, interativas e investigativas, permitindo que os estudantes manipulem objetos, testem hipóteses e construam conceitos de forma significativa”, explica o professor Luciano Duarte.

Participantes

A licencianda em Matemática do Câmpus Goiânia, Marluce Barbosa, contribuiu com o projeto de ensino ministrando oficinas para os participantes no primeiro semestre de 2026.

Para a licencianda em Matemática Marluce Roberta Camargo Barbosa, que atuou como monitora do projeto de ensino, a experiência representou um importante marco em sua formação acadêmica e profissional. Com experiência prévia em modelagem e impressão 3D, a estudante foi responsável pela condução das aulas relacionadas aos aspectos técnicos da fabricação digital, acompanhando os participantes desde a modelagem das peças até sua impressão.

“Antes mesmo do projeto, eu já desenvolvia materiais didáticos utilizando impressão 3D por meio da minha empresa. Essa experiência já havia despertado em mim o interesse de utilizar a impressão 3D como uma ferramenta pedagógica. A participação no projeto ampliou essa visão. Passei a compreender de forma mais profunda as possibilidades didáticas da impressão 3D, refletindo sobre aspectos como planejamento pedagógico, aprendizagem ativa e acessibilidade”, destaca a aluna Marluce Barbosa.

Outro monitor do projeto, o licenciando em Física Jonathas Souza Pinheiro, destacou que a iniciativa contribuiu para aproximar os futuros professores das tecnologias digitais e da cultura maker.

Durante as atividades, Jonathas desenvolveu um modelo do Disco de Newton utilizando impressão 3D e eletrônica básica, recurso que demonstra a decomposição e recomposição das cores da luz branca, permitindo abordar conceitos de óptica de forma prática e visual. Na sua opinião, o maior desafio ao colaborar com o projeto foi desmistificar a visão dos participantes de que o uso de tecnologias digitais e a fabricação de produtos em 3D é apenas para engenheiros.

“Na verdade hoje essas ferramentas estão disponíveis para todos, e professores devem se apropriar desses recursos para a criação de novos recursos didáticos. Nosso desafio foi a cada aula mostrar aos estudantes que era acessível e algumas etapas simples”, comenta o estudante Jonathas Pinheiro.

Novo laboratório

Todos os materiais didáticos desenvolvidos durante as atividades do projeto passaram a integrar o acervo do novo Laboratório Maker de Matemática e Física (LAMMAF) do Câmpus Goiânia do IFG, podendo ser utilizados em futuras atividades de ensino, pesquisa e extensão. Instalado na sala S1-802E, o LAMMAF reúne impressoras 3D, computadores, softwares de modelagem e outros equipamentos destinados ao desenvolvimento de recursos educacionais.

Embora tenha sido criado inicialmente para atender às licenciaturas em Matemática e Física, o laboratório possui caráter interdisciplinar e está aberto à participação de docentes de outras áreas interessados em desenvolver projetos envolvendo cultura maker, impressão 3D e tecnologias educacionais.

“Nossa expectativa é que o LAMMAF se consolide como um ambiente institucional de colaboração, no qual professores de diferentes áreas possam apresentar propostas, compartilhar experiências e desenvolver soluções educacionais inovadoras”, vislumbra o coordenador do projeto.

Parceria
A execução do projeto de ensino da Licenciatura em Matemática contou com apoio do Projeto IFG Truck e do LabMaker, que disponibilizaram impressoras 3D e filamentos para equipar o novo laboratório. O projeto IFG Truck é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), por meio da Chamada Pública nº 12/2025 – Apoio a Projetos de Extensão de Instituições de Ensino Superior do Estado de Goiás.

Para o professor Carlos Roberto da Silveira Junior, coordenador do IFG Truck, a parceria representa um investimento de longo prazo na formação docente. “A formação desses licenciandos permitirá o desenvolvimento de novos projetos de ensino, pesquisa e extensão relacionados à cultura maker, além de preparar profissionais que futuramente atuarão nas escolas públicas”, afirma o docente.

Próxima etapa

O projeto de ensino prosseguirá com atividades no segundo semestre de 2026 no Câmpus Goiânia do IFG.

No segundo semestre de 2026, o projeto será ampliado para atender também aos estudantes da Licenciatura em Física participantes do PIBID, no Câmpus Goiânia do IFG, a partir do mês de setembro.

“Dentro desta proposta visamos inserir nossos pibidianos no universo da construção de recursos didáticos com impressão 3D, tendo como objetivo capacitá-los para atuação nas escolas parceiras e futuramente para atuação em suas carreiras como docentes ”, ressalta a coordenadora do PIBID da Licenciatura em Física, professora Simone Ramalho.

A docente também afirma que a aproximação entre as Licenciaturas em Matemática e Física no Câmpus Goiânia fortalece a formação dos estudantes, pois amplia o repertório metodológico dos futuros professores e beneficia diretamente as escolas atendidas pelos PIBIDs de ambos os cursos.

Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia