Mesa redonda discutiu as questões de gênero e diversidades e o papel social do IFG
“Ouvir o chão da escola”. Essa foi a principal recomendação que a professora Diene Ellen Tavares Silva, pró-reitora de Extensão e Cultura do Instituto Federal de Brasília (IFB) fez durante palestra na qual compartilhou a experiência de criação dos Núcleos de Gênero de Diversidades (Nugeds) na instituição em que leciona e, atualmente, é gestora.
Ela foi palestrante no evento “Caminhos para a Equidade: Jornada de Gênero e Diversidades do IFG”, na tarde desta segunda-feira, 14 de setembro, realizado no miniauditório da Reitoria e com participação também remota. Na palestra, Diene trouxe experiências do processo de criação dos Nugeds no IFB e também aspectos políticos que envolvem a institucionalização dos núcleos.
Segundo disse, a criação dos Negedis é uma caminhada e todo caminho começa no primeiro passo. “Temos de partir perguntando onde estamos e o que queremos. Esse primeiro passo é desafiador, mas a gente não está só”, completou, lembrando que a criação de políticas começa no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). No caso do IFG, o PDI está sendo reformulado neste ano, devendo ser concluído até dezembro.
Mas as políticas, continuou, têm de levar em consideração a realidade. Citando números do IBGE (Censo de 2022), ela apontou que Goiânia tem população majoritária de mulheres (52,63%) e que este dado precisa ser observado nas discussões de gênero e nos atos normativos que as instituições têm.
Silêncios
A criação dos Nugeds no IFG, segundo expôs Diene, começou com o processo de diagnóstico, seguido da escuta e da articulação política, até chegar à normativa institucional. Mas ela reforçou que não foi fácil, exigindo muita resistência. No processo de construção do PDI, contou, foi importante porque foi a primeira vez que se pautou as questões de gênero. Antes do PDI, tinha câmpus com núcleo outros sem e o núcleo da Reitoria foi o último a ser criado. “Tinha gente que achava que não era importante, justo na Reitoria, onde todas as políticas são discutidas”, comentou.
A criação de políticas, afirmou Diene, começa com a identificação das normalizações dos assédios e a instituição de canais de denúncias. “Tem de ter ouvidoria, assim como temos de quebrar a cultura de que tudo é brincadeira ou mimimi”, enfatizou
Os Nugeds do IFB têm como pilares de atuação o acolhimento, formação, prevenção e proposição de políticas. O caminho, insistiu, é cada instituição que constrói. Segundo Diene, os desafios são diários, mas é imprescindível ouvir o chão da escola. “A gente se depara com situação muito complexas. Os protocolos são importantes de forma macro, mas existem especificidades”, alertou.
Ela citou a questão da pobreza menstrual, o assassinato de mulheres e majoritariamente as mulheres negras e a violência no namoro para lembrar que as questões devem ser tratadas levando-se em conta a classe social, o gênero e a raça. Diene finalizou dizendo que o fato de haver debates é uma tentativa de quebrar o silêncio, mas que existem muitos silêncios a serem quebrados.
Mesa redonda
O pró-reitor de Ensino, professor Tauã, presidiu a abertura representando a reitora, professora Oneida. Também compôs a mesa a professora Gabriela
A jornada do IFG teve início pela manhã, com a abertura e a roda de conversa “Gênero, diversidade e o papel social do IFG”. Participaram do debate o gerente de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão do Câmpus Quirinópolis, Evaldo Gonçalves Silva; a coordenadora Acadêmica do Câmpus Jataí, professora Aline da Costa Luz; o professor do Câmpus Inhumas, Fernando Henrique Silva Carneiro; a doutoranda no Câmpus Jataí, Amanda Moura Bardarani; e o estudante do Câmpus Inhumas, Pedro Emanuel Rodrigues Martins.
A mesa redonda foi coordenada pela professora Gabriela Magalhães da Fonseca, diretora em Políticas da Educação Básica e Superior, da Pró-Reitoria de Ensino do IFG. Ela participou também da abertura, presidida pelo pró-reitor de Ensino, Tauã Carvalho de Assis, que representou a reitora Oneida Cristina Barcelos Irigon.