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IFG - câmpus Cidade de Goiás com Neabinuances é membro de Cátedra Unesco em Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania inaugurada na UFG

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Publicado: Segunda, 21 de Setembro de 2026, 08h15 | Última atualização em Segunda, 21 de Setembro de 2026, 08h15

Iniciativa da professora Izabela Tamaso, em parceria com a professora Ema Pires, da Universidade de Évora, reúne instituições do Brasil, de Portugal, da Argentina, do Peru e de Moçambique em torno da pesquisa sobre patrimônios do Bioma Cerrado

Representaram o IFG e o Neabinuances o diretor executivo Wanderley de Brito e a professora Ádria Borges
Representaram o IFG e o Neabinuances o diretor executivo Wanderley de Brito e a professora Ádria Borges

A Universidade Federal de Goiás inaugurou, no dia 17 de setembro, a Cátedra Unesco em Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania. A cerimônia aconteceu no Auditório Professora Maria Antônia França Gonçalves, da Faculdade de Letras, no câmpus Samambaia, em Goiânia, e reuniu autoridades de Estado, autoridades acadêmicas, representantes de instituições parceiras- entre elas o IFG que compõe a cátedra representado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas, de Gênero e Sexualidades (Neabinuances)- professores, estudantes e membros de comunidades tradicionais. O evento foi conduzido pela reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, e pela titular da Cátedra, professora Izabela Tamaso, idealizadora da proposta.

O Instituto Federal de Goiás é um dos parceiros da Cátedra e esteve representado na cerimônia pelo diretor executivo da reitoria, professor Dr.º Walderley Azevedo de Brito, além de integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas, o Neabinuances (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas, de Gêneros e Sexualidades) do câmpus Cidade de Goiás, representado oficialmente na ocasião pela professora Ádria Borges F. Cerqueira.

A Cátedra Unesco é um programa de cooperação entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e instituições de ensino superior e pesquisa em todo o mundo. Não se trata de uma disciplina nem de uma estrutura física isolada, mas de uma equipe multidisciplinar dedicada a produzir conhecimento e a desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão em áreas alinhadas às prioridades da Unesco, entre elas educação, ciências, cultura e comunicação. As cátedras funcionam como laboratórios de ideias, aproximando universidades, poder público, sociedade civil e comunidades em torno de desafios comuns.

A Cátedra sediada na UFG tem como foco os saberes patrimoniais de populações tradicionais, indígenas, quilombolas, ciganas, camponesas e moradoras de áreas urbanas e periféricas. O tema saberes patrimoniais foi escolhido pela equipe proponente para reafirmar que o conhecimento sobre o que deve ser preservado está com essas populações, e não apenas com as instituições, rompendo com a separação tradicional entre natureza e cultura nas políticas de patrimônio. A iniciativa está alinhada aos objetivos estratégicos da Unesco, com destaque para a colaboração com a redução das desigualdades, a educação inclusiva e intercultural, a igualdade de gênero e a ação climática.

Entre seus principais eixos estão o mapeamento dos saberes patrimoniais do Bioma Cerrado, o levantamento de riscos que ameaçam esses saberes e os territórios tradicionais, o desenvolvimento de projetos colaborativos de preservação e a formação de lideranças comunitárias. Estão previstos cursos, oficinas bimestrais, seminários, pesquisas ao longo de quatro anos, publicações e a criação de uma plataforma com observatório com banco de dados público sobre os saberes patrimoniais da região.

A proposta nasceu de um processo de articulação desde 2024, construído em diálogo com a Unesco Brasil e com o Ministério das Relações Exteriores. A parceria internacional foi fortalecida pela professora Ema Pires, da Universidade de Évora, em Portugal, titular da Cátedra Unesco em Patrimônio Imaterial e Conhecimentos Tradicionais, que intermediou o contato entre instituições europeias e latino-americanas. Entre os parceiros estão ainda cátedras Unesco do Peru e da Argentina, a Universidade Federal da Grande Dourados, o Centro Lúcio Costa, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN, o escritório técnico do Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique-GACIM, o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento - LAPIG da UFG, a Associação Brasileira de Antropologia - ABA e as cátedras Sérgio Vieira de Melo da Unesp, e Jean Monnet, que também é da UFG.

Para as professoras Izabela Tamaso e Ema Pires, a instalação da Cátedra representa um marco na valorização dos patrimônios afroameríndios e na proteção da vida planetária, com expectativa de que o trabalho a ser realizado nos próximos quatro anos subsidie diretrizes nacionais e internacionais de salvaguarda dos patrimônios do Cerrado.