IFG celebra 20 anos da EJA integrada à Educação Profissional no Câmpus Goiânia
Estudantes, egressos, servidores e convidados se reuniram na abertura do evento na noite do dia 22. A programação segue até dia 24.
“Eu jamais imaginei que tinha o direito de sentar numa dessas cadeiras.” A frase foi dita pela egressa do curso técnico em Cozinha Deuseli de Jesus à professora Giselia Lima Carvalho Arrais, em seu primeiro dia de aula no Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG), em 2017. Deuseli era trabalhadora terceirizada da Instituição e voltou a estudar no Câmpus Goiânia, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Essa trajetória foi relembrada nesta terça-feira, 22 de setembro, durante a abertura da programação que celebra os 20 anos da EJA integrada à Educação Profissional e Tecnológica no Câmpus Goiânia, realizada no Teatro do IFG.
Uma história construída por muitas mãos
Ao relembrar a trajetória da EJA no Câmpus Goiânia, Gisélia destacou que a celebração vai além da história do curso. “Não estamos festejando apenas o aniversário de um curso isolado, mas a consolidação de uma política pública que tem promovido uma mudança paradigmática na Rede Federal de Ensino desde que foi implantada em 2006”, afirmou.
Gisélia também recordou as trajetórias de outras egressas, que, segundo ela, ajudam a revelar a diversidade dos estudantes que chegaram à Instituição pela EJA, como Maria José, mulher negra nascida no Maranhão, e Natasha, mulher trans nascida em Goiás. Para a docente, essas trajetórias mostram como a EJA ampliou o acesso de trabalhadores e trabalhadoras aos espaços de formação profissional.
Professora Gisélia ao lado de Deuseli, Maria José e Natasha, homenageadas durante a celebração.
A experiência também provocou mudanças entre os próprios docentes, que precisaram repensar suas práticas para receber estudantes que conciliavam trabalho, família e estudo. “PROEJA é um projeto essencialmente disruptivo”, frisou Gisélia.
Na avaliação da professora, os 20 anos também representam uma oportunidade de reconhecer quem construiu essa trajetória. A programação foi organizada para dar visibilidade a essas pessoas, reunindo memórias, pesquisas, relatos de experiências e atividades culturais.
Estudantes e egressos no centro da celebração
A coordenadora do curso técnico em Gastronomia (EJA) do Câmpus Goiânia, professora Poliana Cristina Mendonça Freire, destacou o caráter coletivo dessa história e o papel de estudantes e egressos na construção do curso.
“Celebrar 20 anos vai muito além de contar o tempo. É reconhecer uma história construída a muitas mãos, feita de resistência, transformação e superação diária”, lembrou.
Ao falar diretamente aos estudantes, Poliana ressaltou a persistência daqueles que enfrentam diferentes dificuldades para continuar a formação: “Vocês são a nossa maior inspiração e o nosso orgulho”.
O estudante Fábio Araújo Lima, do 1º período do curso Técnico em Gastronomia.
Um dos estudantes que hoje dá continuidade a essa história é Fábio Araújo Lima, do primeiro período do Técnico em Gastronomia. Copeiro em uma unidade do Sesc, ele havia interrompido os estudos ainda no ensino fundamental e ficou cerca de 14 anos afastado da escola. Para ele, o retorno à sala de aula representa a realização de um desejo que permaneceu ao longo dos anos.
“Estou realizando um sonho. A sua idade chega e seu sonho vai envelhecendo com você. Hoje eu estou tendo a oportunidade de estar realizando esse sonho”, contou Fábio.
Memória e compromisso com o futuro
Durante a abertura, o diretor-geral do Câmpus Goiânia do IFG, professor Vinícius Carvalhaes, ressaltou que a trajetória do curso foi construída coletivamente. O curso teve início em 2006 como técnico em Serviços de Alimentação e posteriormente transformado em técnico em Cozinha. Em 2024, foi modificado para o técnico em Gastronomia (EJA).
“Celebrar 20 anos de um curso na modalidade de Educação de Jovens e Adultos é celebrar pessoas, histórias, desafios e conquistas. É celebrar, sobretudo, a capacidade que uma Instituição pública de educação tem de transformar vidas por meio da educação”, afirmou o diretor-geral.
A reitora do IFG, professora Oneida Cristina Gomes Barcelos Irigon, destacou a necessidade de fortalecer a EJA nos próximos anos e de manter a Instituição atenta às trajetórias interrompidas de trabalhadores e trabalhadoras que desejam retomar os estudos.
“Há trajetórias escolares que foram interrompidas. O direito à educação não. Então, enquanto houver um trabalhador, uma trabalhadora querendo voltar a estudar, nós, como Instituição pública, precisamos nos perguntar o que podemos fazer para que esse encontro aconteça? Foi assim que essa história começou e é assim que queremos continuar construindo”, afirmou a reitora.
Antes da abertura, o público prestigiou o espetáculo “NIQ – Por Estradas Mundo Afora”, apresentado pelo professor aposentado, Júlio Vann. O espetáculo trouxe ao palco a história de um palhaço, carteiro e poeta viajante, que percorre estradas carregando cartas, histórias e sonhos. Nas cartas, estavam memórias de pessoas que fizeram parte da trajetória da EJA na Instituição.
O palhaço Nick entrega uma carta à assistente social Cristina Hidalgo durante o espetáculo.
Na solenidade de abertura, servidores e coordenadores que fizeram parte da trajetória do curso foram homenageados. Compuseram a mesa diretiva: a reitora do IFG, Oneida Cristina Gomes Barcelos Irigon; o diretor-geral do Câmpus Goiânia, Vinícius Carvalhaes; a chefe do Departamento de Áreas Acadêmicas I, Iarle Sousa Ferreira; a coordenadora de Turismo e Hospitalidade, Sandra Santos Faria; a coordenadora do curso de Gastronomia, Poliana Cristina Mendonça Freire; e a presidente da comissão do evento, Giselia Lima Carvalho Arrais. A cerimônia foi acompanhada por pró-reitores do IFG e gestores do Câmpus Goiânia.
Mesa de abertura reuniu gestores e representantes envolvidos na trajetória da EJA no Câmpus Goiânia.
O primeiro dia do evento se encerrou com a mesa-redonda “EJA/EPT na Rede Federal: 20 anos de luta por uma política pública de fato e de direito”, com a participação de Maria Valeska Lopes Viana, do Câmpus Goiânia Oeste do IFG, e de Sandra Grützmacher, diretora de Políticas e Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação. A atividade foi mediada pelo professor Weber Tavares da Silva Júnior e teve por objetivo discutir a função social da EJA, o enfrentamento à evasão e a permanência e o êxito dos estudantes.
A programação do evento de 20 anos da EJA/EPT no IFG segue até quinta-feira, 24, com atividades que recuperam a trajetória da área, relatam experiências e discutem desafios e perspectivas para a modalidade.
Confira a programação dos próximos dias.
Confira mais fotos da abertura.
Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia
