Pesquisa

Entrevista concedida pela Reitora do IFG, Oneida Cristina Irigon, no dia 6 de março, ao Jornal Opção sobre pesquisas na área da saúde

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1. Ao longo dos últimos 20 anos, como a senhora avalia a evolução da pesquisa na área da saúde no IFG e qual tem sido o papel da instituição na produção de conhecimento científico para a sociedade?

A pesquisa científica no Instituto Federal de Goiás cresceu de forma significativa nas últimas duas décadas, acompanhando o próprio processo de expansão e consolidação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no Brasil. Hoje o IFG possui grupos de pesquisa consolidados, laboratórios e pesquisadores que desenvolvem investigações relevantes nas áreas de promoção da saúde, biotecnologia, nutrição, epidemiologia e tecnologias aplicadas à saúde. Entre eles estão o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Promoção da Saúde (NUPPS) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ciências da Vida, que reúnem pesquisadores e estudantes em torno de temas estratégicos para a sociedade.
Somente no ano-base de 2025, temos 31 projetos de pesquisa em execução, com forte participação de estudantes em programas de iniciação científica, o que demonstra o compromisso do IFG com a formação de novos pesquisadores e com a produção de conhecimento científico socialmente comprometido. Acreditamos que o papel das instituições públicas de educação é justamente esse: produzir ciência de qualidade, conectada com os desafios reais da sociedade e com o desenvolvimento do país.

 

2. De que forma as pesquisas desenvolvidas no IFG têm contribuído para enfrentar desafios concretos da saúde pública, especialmente em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS)?

A pesquisa desenvolvida no Instituto Federal de Goiás (IFG) tem buscado dialogar diretamente com desafios concretos da saúde pública brasileira. Nesse contexto, a parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS) torna-se fundamental para que o conhecimento científico produzido nas instituições públicas contribua efetivamente para a melhoria das condições de vida da população.

Um exemplo relevante é o projeto coordenado pela professora Patrícia Carvalho de Oliveira, contemplado em chamada nacional do CNPq voltada ao desenvolvimento de pesquisas orientadas à saúde da população brasileira. A pesquisa investiga a prevalência e os fatores associados às feridas de difícil cicatrização em pessoas com múltiplas comorbidades, propondo estratégias de cuidado baseadas na ferramenta TIMERS. O projeto conta com financiamento superior a R$ 1,4 milhão e é desenvolvido em parceria com o SUS, fortalecendo a integração entre pesquisa científica e prática assistencial.
Outra iniciativa importante é o projeto UBS Digital, que se dedica ao estudo da implementação de soluções de telessaúde e integração tecnológica no sistema público de saúde. A proposta busca contribuir para a melhoria da eficiência dos serviços, a qualificação do atendimento e a ampliação do acesso da população às ações de saúde.

Essa articulação com o SUS também se concretiza na própria estrutura institucional do IFG. Atualmente, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) está instalada em um dos câmpus da instituição, possibilitando que atividades de ensino, pesquisa e extensão ocorram em diálogo direto com a realidade do atendimento à população. A experiência tem fortalecido a produção de conhecimento aplicada às demandas reais do sistema público de saúde, e a perspectiva é ampliar essa parceria para outros campi, consolidando o IFG como um espaço onde a pesquisa em saúde acontece de forma integrada à prática.
Essas iniciativas evidenciam como a ciência produzida nas instituições públicas de ensino, pesquisa e inovação pode contribuir diretamente para o fortalecimento das políticas públicas de saúde, ampliando o impacto social da pesquisa e reafirmando o papel estratégico das instituições federais no desenvolvimento do país.

 

3. Quais são os principais impactos sociais que as pesquisas na área da saúde realizadas pelo IFG têm gerado para a população goiana e brasileira?

Os impactos são múltiplos. Um deles é a produção científica com repercussão nacional e internacional, por meio de artigos publicados em periódicos relevantes da área de saúde, como PLOS ONE, International Journal of Environmental Research and Public Health e European Food Research and Technology. Essas pesquisas abordam temas importantes, como fatores de risco para doenças, impactos da pandemia, desenvolvimento de materiais e substâncias com potencial aplicação biomédica e estudos voltados à promoção da saúde.
Outro impacto fundamental é a formação de estudantes pesquisadores. Ao participarem de projetos científicos, os estudantes do IFG se formam não apenas como profissionais qualificados, mas como cidadãos capazes de contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país. Além disso, muitas das pesquisas desenvolvidas na instituição estão voltadas à prevenção de doenças, promoção da saúde e melhoria dos serviços públicos.


4. O IFG possui projetos, patentes e tecnologias voltadas para a área da saúde. Como a instituição trabalha para transformar a pesquisa científica em inovação e aplicação prática para a sociedade?

O IFG tem buscado fortalecer cada vez mais a relação entre pesquisa científica, inovação e desenvolvimento social. Atualmente, a instituição possui duas patentes de invenção e dois registros de programas de computador, relacionados ao desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação em diferentes áreas, incluindo a saúde. Entre os exemplos está o desenvolvimento de um dispositivo eletrônico portátil para medição de tempo de reação e avaliação da reabilitação neuromotora, que pode contribuir para o acompanhamento de processos de reabilitação clínica. Também temos pesquisas voltadas à área de alimentação e nutrição, como o desenvolvimento de produtos alimentares nutricionalmente fortificados, que dialogam diretamente com questões relacionadas à saúde pública e segurança alimentar. Essas iniciativas demonstram o potencial da pesquisa científica para gerar inovação e contribuir com soluções concretas para a sociedade.


5. Pensando no futuro, quais são as perspectivas e prioridades do IFG para fortalecer ainda mais a pesquisa científica na área da saúde nos próximos anos?

Para os próximos anos, o IFG pretende ampliar ainda mais o fortalecimento da pesquisa científica na área da saúde, investindo na consolidação de grupos de pesquisa, no fortalecimento da pós-graduação e na ampliação da participação de estudantes em projetos científicos. Também buscamos intensificar parcerias com o Sistema Único de Saúde, universidades, centros de pesquisa e agências de fomento, ampliando o desenvolvimento de pesquisas aplicadas com impacto social. Nosso compromisso é seguir consolidando o IFG como uma instituição pública que produz ciência de qualidade, promove inovação e contribui para enfrentar desafios sociais, especialmente nas áreas que impactam diretamente a vida da população. Para nós fortalecer a pesquisa científica nas instituições públicas é fortalecer a capacidade do país de enfrentar desafios sociais, sanitários e tecnológicos. Ciência pública é investimento no futuro da sociedade.