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Ciência Delas: XI Secitec do Câmpus Goiânia Oeste celebra protagonismo feminino, arte e afeto entre gerações

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Publicado: Sexta, 25 de Setembro de 2026, 17h24 | Última atualização em Sábado, 26 de Setembro de 2026, 11h09

Durante dois dias, estudantes, servidores, escolas visitantes e convidados compartilharam descobertas e histórias em uma programação intensa e diversificada

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Nos dias 21 e 22 de setembro, o Câmpus Goiânia Oeste do IFG viveu dois dias intensos de descobertas, encontros e histórias que atravessaram gerações. A XI Semana de Ciência e Tecnologia (Secitec), o VIII Seminário de Iniciação Científica e Pesquisa (SICT) e o III Espaço IntegrAção aconteceram simultaneamente, reunindo 52 atividades entre exposições, oficinas, palestras e apresentações culturais. A programação reuniu as comunidades interna e externa em torno do tema “Ciência Delas” e recebeu, no segundo dia, a visita do ministro da Educação, Leonardo Barchini, que conheceu as atividades da Secitec e conversou com os estudantes do câmpus.

Um evento que uniu o câmpus

Para a diretora-geral, professora Hellen da Silva Cintra de Paula, o sucesso da Secitec começou no envolvimento de todos. "Nós tivemos nos dois dias a presença em peso dos alunos", contou, lembrando também da participação de outros câmpus, como o Laboratório de Matemática e o Laboratório Maker expostos pelos alunos e professores do Câmpus Goiânia do IFG. Hellen fez questão de agradecer a quem esteve à frente da organização: "Parabenizo muito o Thiago e toda a equipe da Gepex, da CAE, que estiveram a frente na organização desse evento e a todos os servidores que atuaram fortemente na organização e também nos dias do evento."

“No segundo dia da Secitec, a gente teve a visita do ministro da Educação, Leonardo Barchini, para prestigiar esse momento e conhecer as estruturas aqui do câmpus. Outra vez foi um momento de grande envolvimento da comunidade, com a presença massiva dos nossos estudantes” destacou a diretora, descrevendo o restaurante lotado durante o lanche coletivo. "Nós pudemos mostrar como nós estamos e mostrar também os nossos desafios para o ministro da Educação, para que a gente consiga vencer esses desafios futuramente."

Para o gerente de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão, Thiago Damasceno Pinto Milhomem, esta edição teve um significado especial, foi sua primeira experiência à frente da coordenação-geral do evento. "Significou um marco na minha carreira profissional e um misto de emoções devido aos muitos desafios e objetivos a serem alcançados", afirmou.

Para ele, entre tantos momentos, um ficou marcado como símbolo de tudo o que a Secitec representa: “Na última noite, enquanto a banda composta por três professores do nosso câmpus tocavam com as crianças, filhas das alunas de uma turma de EJA da Escola Municipal Jardim Nova Esperança, que nos visitava na ocasião, vi que todo nosso esforço havia valido a pena! Educação se faz com ciência, mas também com arte e com momentos espontâneos nos quais se pode exercer a criatividade”.   

O gerente também destacou a presença de autoridades no segundo dia do evento — o ministro da educação, Leonardo Barchini, o secretário da Setec, Marcelo Bregagnoli, e a reitora do IFG, Oneida Cristina Gomes Barcelos Irigon — e fez questão de agradecer, um a um, a todos que tornaram o evento possível: “Agradeço imensamente à minha equipe da Gerência de Pesquisa e Extensão, Coordenação de Assistência Estudantil, Coordenação de Integração Escola-Empresa, a todas às servidoras e servidores envolvidos, aos proponentes de atividades, à equipe de manutenção, limpeza e zeladoria, aos estudantes participantes, às monitoras e monitores, à comissão organizadora e aos nossos convidados e parceiros externos: Dra Renata Mazaro e Costa, Dra Ana Carolina Coelho, Dra Sônia Maria de Magalhães, Dra Vanessa Clemente Cardoso, aos músicos Danilo Verano, Doriam Erich, André Coruja e Pedro Bonfim, esses três últimos também professores do nosso câmpus, à professora Doutora Christiane Borges Santos e as alunas do projeto de robótica Metabotix, ao artista plástico César José Rodrigues (Cejoro), à Saneago e às as agências integradoras de estágio (IEL Goiás, Portal do Estágio e CIEE) e às escolas municipais Dom Fernando Gomes dos Santos, Jardim Nova Esperança e Frei Nazareno Confaloni (nossas convidadas). Todas e todos abrilhantam nossa Secitec com suas presenças”.

Entre descobertas e conversas: o olhar dos estudantes sobre a Secitec" 

A estudante Débora Sophia Goncalves do Carmo, do 1º ano do Curso Técnico Integrado em Vigilância em Saúde, participou pela primeira vez da SECITE e avaliou a experiência como inesquecível: “Gostei muito da exposição Jardim Sensorial: uma viagem pelo mundo dos condimentos. Eu achei que o tema que eles escolheram foi muito importante e interessante porque os temperos são coisas que usamos com frequência, que participam do nosso cotidiano e muitas vezes a gente não tem um conhecimento sobre isso. Gostei também das atividades do pessoal da Pedagogia, da Enfermagem, da exposição Caixa de Pandora das Doenças: Da História da Medicina ao Laboratório de Análises, do pessoal de Análises Clínicas, a apresentação deles foi excelente. A professora Kelly também arrasou com a Oficina Experimentos de Química. Mas de todas as atividades a que mais me chamou a atenção e que mais gostei de participar foi a Oficina Vozes da América Latina: Poesia Feminina e Colagem do pessoal da UFG. Essa atividade foi muito legal, eu conheci várias poetas muito maravilhosas e teve tudo a ver com o tema da SECITEC”.

Débora também viveu um momento único: foi escolhida para recepcionar o Ministro da Educação. "Foi uma experiência muito boa e significativa para mim", disse. "Eu espero que nessa visita o ministro tenha visto as necessidades que o câmpus precisa melhorar, mas também tenha visto as inovações que a gente tem feito, o desenvolvimento, os esforços dos alunos".

Já Gustavo Fernandes da Luz Machado, discente do 3º ano do mesmo curso, se encantou com o Laboratório Maker, com os óculos de realidade virtual, com a caneta 3D e com os projetos apresentados. Mas o que mais marcou para Gustavo nesta edição da SECITEC foi sentar ao lado do ministro durante o lanche. "Ele conversou bastante comigo, me perguntou qual curso eu fazia, o que quero fazer na graduação, se gosto do IFG, como é nossa rotina aqui", relembrou. "Achei bacana conversar com ele, só algumas coisas que eu deveria ter falado um pouco mais sobre a nossa rotina, o que ainda precisamos aqui no IFG, mas na hora esqueci e não falei."

Recomeços e histórias de superação

Poucas falas traduzem tão bem o espírito da Secitec quanto a de Maisa de Souza Silva Gerolineto, aluna do sexto período do curso Técnico em Enfermagem na modalidade EJA. Participando do Promovendo Saúde no Câmpus, ela teve a oportunidade de medir a glicemia do próprio ministro. "Eu fiquei nervosa, lógico, mas deu tudo certo", contou. "A experiência de conversar com ele foi maravilhosa, eu não imaginava que ele ia puxar assunto daquele jeito, mas deu pra perceber que ele queria conhecer os alunos."

Questionada pelo ministro sobre por que decidiu voltar a estudar, Maisa contou sua trajetória: conheceu o IFG por meio da filha, que também estuda no câmpus, começou no curso de Cuidadora de Idosos do Mulheres Mil e depois ingressou no curso Técnico em Enfermagem. "Eu estou amando fazer o curso e quero me aperfeiçoar ainda mais na profissão", afirmou.

Uma das falas mais tocantes do evento veio do professor Ricardo da Silva Santos do Câmpus Goiânia, que levou para a Secitec a exposição interativa do Laboratório de Matemática e ministrou a palestra "Inteligência Artificial entre a Saúde e a Educação: o que a Matemática tem a ver com isso?". Durante a ministração da palestra, Ricardo viveu seu momento mais especial. Entre o público estava sua própria mãe — egressa do curso Técnico em Enfermagem EJA do Câmpus Goiânia Oeste. "Minha mãe nunca tinha participado de nenhuma apresentação pública minha assim e foi muito legal para ela voltar ao câmpus onde estudou", contou. "Minha mãe foi uma guerreira durante o curso, só tirava nota dez. E ela morava bem longe, lá no setor Balneário, então ela pegava dois ônibus por dia pra ir para o câmpus estudar. Minha mãe foi uma guerreira pra fazer o curso, assim como ela foi uma guerreira na vida, criou três filhos super bem", destacou o professor Ricardo.

Ricardo também destacou como a exposição interativa do Laboratório de Matemática tornou-se um espaço de acolhimento dentro do evento: “As pessoas participaram bastante, muitos iam e ficavam horas na exposição fazendo os desafios de lógica, os jogos matemáticos, ou na dama e no xadrez…e nisso ficava um bom tempo por lá. Então foi muito bacana ver a participação da comunidade acadêmica e externa. Nossa proposta teve quatro responsáveis, eu, a professora. Aline Mota de Mesquita Assis, que é coordenadora do laboratório de matemática, o professor Uender Barbosa que é coordenador do curso superior de Licenciatura em Matemática do Câmpus Goiânia e o professor Luciano Duarte, que é o coordenador do LAMAF (Laboratório Maker de Matemática e Física) do câmpus Goiânia do IFG”.

Para Ricardo, a participação dos alunos do Câmpus Goiânia na XI Secitec do Câmpus Goiânia Oeste foi muito enriquecedora: “Foi bom para os nossos alunos ter essa experiência de falar em público e como são alunos da Licenciatura precisam treinar porque daqui alguns anos estarão em sala de aula, então ter esse contato com várias escolas como eles tiveram por meio das escolas do Projeto Conhecendo o IFG, foi muito bom para eles adquirem essa experiência”.

 

Ciência Delas: honrar quem veio antes

A palestra de abertura do evento, justamente sobre o tema "Ciência Delas", ficou a cargo da Dra. Renata Mazaro e Costa. Para a cientista, é fundamental que os estudantes, mesmo jovens, compreendam a história por trás das conquistas femininas na ciência. "É importante que esses alunos sejam expostos a esses dados e sensibilizados a esse contexto numérico do avanço das mulheres na ciência, de como foi difícil chegar a algumas conquistas, como a licença-maternidade para as pesquisadoras dos programas de pós-graduação", explicou.

Renata destacou que a sobrecarga de tarefas ainda é uma barreira que atinge as mulheres de forma desigual, mas observou uma mudança em curso nas novas gerações, que começam a dividir melhor as tarefas domésticas. "Trazer esses dados mostra pra essas meninas que estão aqui que é possível, que é factível, que a gente consegue ser cientista se a gente quiser. Mas tem algumas barreiras que ainda existem e que a gente precisa transpor."

Arte, cor e contemplação

O artista plástico César José Rodrigues, o Cejoro, levou à Secitec sua Exposição de Artes e a oficina Teoria da cor — como ver e comover. "Na oficina eu fiz com os alunos uma atividade de construção de imagem utilizando tons, para mostrar como a cor acontece nos olhos", descreveu. A exposição, um recorte do trabalho "Meditações Visíveis", propõe, em suas palavras, "um convite a um olhar desacelerado, à escuta silenciosa e à contemplação daquilo que pulsa além da superfície". E completou, conectando sua arte ao tema do evento: "Quando a gente fala da natureza, a mulher está dentro desse processo, dessa simbiose também."

Entre desafios de lógica e poesias, entre a glicemia e a pressão aferida no braço de um ministro, e entre a plateia emocionada de uma mãe, a XI Secitec do Câmpus Goiânia Oeste reafirmou algo simples e potente: ciência se faz de pessoas, de suas histórias, seus recomeços e seus afetos. E foi assim, com a comunidade acadêmica e externa lado a lado, que o câmpus encerrou o evento, nas palavras do gerente Thiago Milhomem, "com chave de ouro".

 

Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Goiânia Oeste.