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EJA 20 ANOS

“Eu tinha um sonho e realizei”, afirma José Marques, egresso da primeira turma do técnico em Serviços de Alimentação

Ele voltou a estudar e hoje, aos 57 anos, tem seu próprio negócio, o Lanche do Toninho, situado no Câmpus Goiânia

  • Publicado: Quarta, 16 de Setembro de 2026, 14h33
  • Última atualização em Quarta, 16 de Setembro de 2026, 15h42
José Marques, egresso da primeira turma (2006 - 2009) do técnico em Serviços de Alimentação (Proeja) do Câmpus Goiânia, transformou o sonho de trabalhar com Alimentação em realidade. Hoje, ele é proprietário do Lanche do Toninho, localizado em frente ao câmpus onde voltou a estudar.
José Marques, egresso da primeira turma (2006 - 2009) do técnico em Serviços de Alimentação (Proeja) do Câmpus Goiânia, transformou o sonho de trabalhar com Alimentação em realidade. Hoje, ele é proprietário do Lanche do Toninho, localizado em frente ao câmpus onde voltou a estudar.

Quem chega ao Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG) pela portaria dos estudantes talvez não saiba, mas o café, o suco, os salgados e o sorriso cordial que encontramos no Lanche do Toninho carregam uma história de recomeço, persistência e sonho. Para muitos, ele é simplesmente Toninho. Mas, para o Câmpus Goiânia do IFG, José Marques é também parte da história de uma formação que ajudou a transformar vidas.

 José Marques decidiu voltar a estudar. Entrou para a primeira turma do curso técnico integrado em Serviços de Alimentação, na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), então vinculada ao Programa de Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica (Proeja).

“É um curso muito bom, mas tem que estudar também, tem que dar valor”, aconselha José Marques.

Anos depois, aquele estudante que atravessava os corredores do então Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás (CEFET-GO) voltou ao mesmo lugar — desta vez, como dono de uma lanchonete em frente ao Câmpus Goiânia do IFG.

“Eu tinha um sonho e realizei”, afirma. É assim, com timidez e simplicidade, que José resume uma trajetória que começou com a decisão de voltar para a sala de aula e conquistar a vida atrás de um balcão de lanchonete, exatamente no local onde um dia decidiu que recomeçaria sua formação acadêmica.

Um recomeço 

Era 2005, quando o então CEFET-GO passou a ofertar a primeira seleção para o curso técnico de Serviços de Alimentação do Proeja. José trabalhava na rede hoteleira de Goiânia e ficou sabendo da oportunidade.

Depois de muito tempo afastado dos estudos, ele decidiu tentar. Não foi fácil. Voltar para a sala de aula significava enfrentar inseguranças, dificuldades e o desafio de conciliar uma nova rotina de estudos com a vida profissional. Mas José persistiu nas aulas à noite.

Ele se recorda com carinho daquela primeira turma. No fim do curso, era o único homem entre as estudantes. Além de concluir o ensino médio, conquistou também a formação técnica em Serviços de Alimentação. Para ele, a dificuldade inicial não deve ser motivo para desistir. “No início é difícil voltar a estudar, porque eu fiquei muito tempo sem estudar. Mas depois dá tudo certo”, afirma.

Do sonho à realidade

O desejo de trabalhar no ramo de Alimentação não nasceu depois da conclusão da formação técnica na área. Na verdade, acompanhava José Marques havia muito tempo — inclusive durante o curso. Enquanto estudava, ele já observava a lanchonete que funcionava em frente à Instituição. O antigo proprietário, conhecido como Toninho, estava pensando em se aposentar. José enxergou ali uma possibilidade.

O sonho começou a ganhar forma. Depois de concluir o curso, ele foi para Rio Verde (GO), onde trabalhou por quatro anos na indústria de alimentos Perdigão. Começou como operador de máquina, levando consigo uma ideia que não abandonou: um dia, teria seu próprio negócio.

“Eu já fui para a Perdigão com a ideia na cabeça de comprar esse lanche aqui. Graças a Deus, deu tudo certo”, relembra. Em 2013, José retornou a Goiânia. A essa altura, o projeto que havia começado como um sonho já estava se tornando realidade. Hoje, sua esposa, Luciene, também participa da rotina da lanchonete.

E foi ela quem revelou um dos detalhes mais singelos dessa história. Quando os dois se conheceram, José já falava sobre o futuro negócio. Para simbolizar aquele começo, comprou um pequeno pote de balas. “Quando a gente se conheceu, ele comprou um potinho de balinhas e disse que ia começar a lanchonete com esse potinho. E até hoje esse pote está lá em casa. Ele disse que com esse potinho iria vender as balinhas”, comenta Luciene. O pote, guardado até hoje, acabou se transformando em uma espécie de lembrança do sonho de José que, naquele momento, ainda parecia distante.

José virou Toninho

Quem passa pela lanchonete em frente ao Câmpus Goiânia do IFG talvez nunca tenha imaginado que o homem atrás do balcão não se chama Toninho. “As pessoas acham que eu sou o Toninho. Mas meu nome é José Marques. Mas isso não me incomoda de maneira alguma”, conta, sorrindo.

O apelido veio junto com o estabelecimento e, de certa forma, também passou a fazer parte da história de José. Ali, ele não é apenas o proprietário. É também alguém que retornou ao lugar onde estudou e transformou uma oportunidade de formação em um caminho para realizar o seu desejo.

Escola para a vida

Fotos de José Marques junto aos professores e estudantes da primeira turma do curso técnico em Serviços de Alimentação (Proeja).

José fala do curso com a experiência de quem não apenas passou por uma formação profissional, mas levou os ensinamentos para dentro do próprio negócio. Ele lembra, por exemplo, do servidor técnico-administrativo Geraldo Carvalhaes – já aposentado, que trabalhava no Laboratório Gastronômico e que se tornou uma referência durante o curso.

Entre as lembranças está o aprendizado de preparar um arroz soltinho — uma tarefa aparentemente simples, mas que, para José, representava uma oportunidade de aprender observando quem tinha experiência. “Eu ficava do lado dele para aprender a fazer aquela panelada de arroz soltinho”, conta. As lembranças mostram que, para José, a formação foi construída não apenas nas salas de aula, mas também na convivência, na observação e na prática.

Por isso, mesmo tantos anos depois, ele continua recomendando o curso da EJA do Câmpus Goiânia do IFG para quem deseja voltar a estudar e, quem sabe, construir o próprio negócio. “Eu indico sim para que as pessoas façam esse curso, porque é muito bom. No início vai ter dificuldade, mas logo dá tudo certo”.

Ele ressalta ainda que a formação vai além do preparo dos alimentos. “O curso ensina a ter o seu negócio e a elaborar a comida. Tem aula de etiqueta. É um curso completo”, destaca.

A transformação provocada pela passagem de José Marques pelo Câmpus Goiânia não ficou restrita à sua própria trajetória. Outros integrantes da família dele também passaram pelos corredores da Instituição. Sobrinhos de José se formaram em Engenharia Civil e Engenharia Elétrica no Câmpus Goiânia do IFG.

Um sonho realizado

José Marques é o atual proprietário do Lanche do Toninho, localizado em frente à portaria dos estudantes do Câmpus Goiânia. O local representa a realização de um sonho, segundo ele.

Há histórias que cabem em diplomas. Outras, em currículos. A de José Marques cabe também em um pequeno pote de balas, em um prato de arroz soltinho e no balcão de uma lanchonete que recebe diariamente estudantes, servidores e visitantes do Câmpus Goiânia do IFG.

É uma história sobre recomeçar e guardar um sonho, mesmo quando é preciso esperar alguns anos para realizá-lo. Hoje, quando alguém chama “Toninho” na lanchonete, José atende. Talvez porque, naquele lugar, o apelido tenha deixado de ser apenas o nome do antigo proprietário e tenha se tornado parte da história dele.

Série especial

A história de José Marques encerra a série de reportagens especiais produzida pela Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia para celebrar os 20 anos do curso técnico em Cozinha/Gastronomia (EJA) na unidade.

O evento em comemoração à trajetória institucional do curso será realizado na próxima semana, de 22 a 24 de setembro, no Câmpus Goiânia do IFG (confira a programação).

Leia também as outras reportagens:

• “Agradeço imensamente ao IF. Mudou a minha vida. O conhecimento trouxe a mudança na minha vida”, Débora Santiago, egressa do técnico em Cozinha

• “Eu não imaginava que oito anos depois, eu estaria onde estou, chegar onde cheguei. E pra mim ainda é só o começo”, Kênia Salgado, egressa do câmpus

 

Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia

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