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JIF Nacional

ParaJIF marca característica inclusiva da Rede Federal no esporte

Publicado: Domingo, 29 de Novembro de -0001, 21h00 | Última atualização em Quinta, 22 de Outubro de 2026, 11h06

Os  jogos paralímpicos integram a programação do JIF Nacional e contam com a participação de 44 atletas

Victor Cardoso (IFFAR) e Júlio César (IFMA) foram segundo e primeiro lugar na competição de arremesso de peso
Victor Cardoso (IFFAR) e Júlio César (IFMA) foram segundo e primeiro lugar na competição de arremesso de peso

Pela segunda vez nos Jogos dos Institutos Federais (JIF), jogos paralímpicos integram o evento na etapa nacional. Estudantes atletas com deficiências físicas, visuais ou intelectuais competem no ParaJIF, nas modalidades Atletismo e Natação, e enriquecem o torneio com a inclusão. O ParaJIF mostra que veio pra ficar e se expandir nas próximas edições do JIF.

No JIF Nacional 2026, há 44 atletas com deficiência, número mais que o dobro da edição anterior. O coordenador técnico do ParaJIF, Tâminez Farias, informa que além do crescimento em número, o evento cresce em qualidade, considerando que na primeira edição os jogos paralímpicos foram realizados na forma de festival, sem a separação dos atletas em modalidades esportivas.

Tâminez conta que as melhorias trouxeram também novas exigências, como mais especificidade nas divisões das categorias, considerando os diferentes tipos e graus de deficiência dos estudantes participantes. Embora tais distinções não sejam separadas nas disputas, elas são consideradas nas premiações. “Nosso objetivo é incluir e crescer. A gente está nascendo e a gente não exclui ninguém”, afirma.

Característica inclusiva

Entre os estudantes atletas com deficiência, o que se nota é a alegria, o envolvimento no esporte, a integração com os colegas e professores e o desejo de superação. A característica inclusiva dos Institutos Federais é destacada por eles quando falam da prática esportiva. É o caso dos estudantes ouvidos Victor Cardoso, Kamily da Silveira e Ana Beatriz Santos.

Victor é estudante do Instituto Federal Farroupilha (IFFAR), tem nanismo acondroplásico e disputou a prova de arremesso de peso, tendo conquistado o segundo lugar. Ele conta que antes de estudar no IF, participava de competições esportivas no município, mas era a única pessoa com deficiência (PCD). “No IF tem mais PCDs, porque no IF já é prevista a inclusão”, diz. É a segunda vez que Victor participa do JIF e considera que esta edição do evento está melhor, com mais atletas, integração e diversidade. “É mais emocionante e mais desafiador”, diz.

Kamily estuda no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), tem cegueira total e está participando do ParaJIF nas provas de corrida 50 metros e corrida 100 metros. Na corrida dos 50 metros, ela caiu e ralou o joelho, mas se levantou para concluir a prova. “Mesmo caindo eu fiquei em terceiro”, falou. Sem desanimar, ela espera ficar em primeiro na prova de 100 metros, que ainda será realizada. Kamily diz que antes de estudar no Instituto Federal não recebia treinamento esportivo específico para PCD.

Inspiração

Ana Beatriz: seu interesse pelo esporte inspirou a criação do ParaJIF
Ana Beatriz: seu interesse pelo esporte inspirou a criação do ParaJIF

Foi uma estudante com deficiência no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), quem inspirou a existência do ParaJIF na Rede Federal: Ana Beatriz Santos, que tem artrogripose múltipla congênita, condição que causa limitação nos movimentos. Aluna do curso de Biologia naquela Instituição, ela foi observada em 2023 numa brincadeira de vôlei pelo professor de Educação Física Silvio Leonardo Nunes de Oliveira. Ele a convidou para participar dos treinos aos sábados e Beatriz treinava e participava de jogos amistosos. Sua limitação, entretanto, não a permitia fazer parte das competições com o time e o professor a encaminhou para a natação. “Eu já sabia nadar, mas tinha dificuldade na piscina, a oportunidade de treinar natação, com técnica, só foi possível no IFAL”, diz.

O desenvolvimento de Ana Beatriz nos treinos fez com que o professor Silvio Leonardo desejasse levar a experiência a mais estudantes. Ele então idealizou e tornou possível a realização do Festival Paralímpico, no JIF 2025, no Rio Grande do Norte. Silvio é atualmente o diretor técnico do ParaJIF.

Ana Beatriz se orgulha de ter sido a inspiração para evento tão importante: “Eu acho incrível, porque isso é inclusão. Através de mim, outras pessoas com deficiência podem viver o sonho que eu tinha desde pequena”. Ela está participando das provas de natação do ParaJIF 2026, conquistou o terceiro lugar nos 50 metros e está com a expectativa de receber o ouro nos 25 metros, “porque é a prova que eu mais gosto”, afirma.

O coordenador Tâmirez destaca que o ParaJIF é muito mais que uma competição. “O ParaJIF pra gente representa integração, socialização, inclusão, tem um contexto social que iguala e até ultrapassa o caráter esportivo. Basta ver a alegria deles por estar tendo a oportunidade disso”, diz. Ele lembra a história que inspirou os jogos paralímpicos no JIF, que é a de uma estudante com deficiência que quis e gostava de participar das aulas de Educação Física.

 

Diretoria de Comunicação/Coordenação de Comunicação do Câmpus Aparecida de Goiânia

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