Programa “Espaço Literar” leva estímulo à leitura literária crítica a crianças em Aparecida de Goiânia
Estudantes e professores de diferentes formações levam literatura infantil em Português e Libras a escolas municipais e devem alcançar mil crianças até o final de 2026
O papel da literatura como instrumento de formação humana e cidadã está sendo vivenciado na prática com alunos do Câmpus Aparecida de Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG) e estudantes de escolas municipais da região. O programa de extensão Espaço Literar, coordenado pelos professores João Ferreira de Araújo Júnior e Wellington Cardoso de Oliveira, do curso de Licenciatura em Pedagogia Bilíngue, envolve estudantes dos cursos de Pedagogia Bilíngue e Engenharia Civil do IFG Aparecida, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFG e também do curso Técnico Integrado em Modelagem do Vestuário, ofertado no Câmpus Aparecida de Goiânia do IFG na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), e está levando leitura crítica de obras da literatura infanto-juvenil a centenas de crianças. O programa está em sua segunda edição (biênio 2025/2026). A primeira edição foi realizada em 2023/2024.
O programa “Espaço Literar” atua na organização de espaços abertos de exposição e leitura de obras literárias em instituições públicas de ensino da primeira fase do Ensino Fundamental, prioritariamente, da Rede Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia. O objetivo do trabalho é contribuir com a humanização das pessoas envolvidas por meio da apropriação da literatura infanto-juvenil. Os referenciais são autores e autoras alinhados às perspectivas críticas da educação, como Magda Soares, Lígia Marcia Martins, Meire Cristina dos Santos Dángio e Adriana de Fátima Franco.
Para o professor João Ferreira de Araújo Júnior, que também é coordenador do curso de Licenciatura em Pedagogia Bilíngue, os objetivos do programa estão sendo alcançados com êxito, tanto do ponto de vista pedagógico, no que se refere à formação inicial de professores pedagogos alfabetizadores; quanto do apoio à alfabetização de crianças da primeira fase do Ensino Fundamental de escolas da Rede Municipal de Ensino de Aparecida de Goiânia. Ele relata a participação de 44 estudantes de nível médio e superior (número que pode ultrapassar 60 estudantes) e o acesso de aproximadamente mil crianças à oportunidade de leituras qualificadas de literaturas infanto-juvenis.
O professor Wellington Cardoso conta que o crescimento do programa surpreendeu a ele e ao professor João, que idealizaram o trabalho quando acompanhavam alunas de Pedagogia Bilíngue em estágio na Escola Municipal Pontal Sul e verificaram o desenvolvimento pedagógico tanto das crianças como das estagiárias com o trabalho de contação de histórias. Ele relata que foi muito positivo ver o projeto “ganhar substância” desde as primeiras experiências.
Mil crianças alcançadas em duas edições
Segundo informações dos coordenadores, na primeira edição do projeto estiveram envolvidos vinte licenciandos do curso de Pedagogia Bilíngue, duas graduandas em Engenharia Civil, uma graduanda em Arquitetura e Urbanismo e três estudantes do curso EJA - Técnico em Modelagem do Vestuário. Já a segunda edição está contando com a participação de oito estudantes de Pedagogia Bilíngue, duas de Engenharia Civil, uma de Arquitetura e Urbanismo e sete do curso Técnico em Modelagem do Vestuário. As ações de 2026 deverão elevar o quantitativo de estudantes da Pedagogia Bilíngue, podendo chegar a 25 acadêmicos do curso.
Quanto às crianças alcançadas, 250 integraram a primeira edição, na Escola Municipal Pontal Sul. O número na segunda edição chega a 750 crianças beneficiadas em três instituições: Escola Municipal Antônio Alves Neto, Escola Municipal Caraíbas e Escola Municipal Santo André. A expectativa é de mais crescimento para a próxima edição, planejada para o biênio 2027/2028, com a proposta de ampliar o projeto para quatro unidades educacionais, mantendo as três que estão em andamento e constituindo uma no Câmpus Aparecida de Goiânia do IFG para o atendimento das crianças filhas das mães estudantes e que já são atendidas na brinquedoteca. O professor João Ferreira Araújo explica que o espaço no IFG Aparecida será utilizado principalmente para desenvolver ensino e pesquisas na área de alfabetização e letramento bilíngue. “Além de o IFG se dirigir até as escolas municipais pretende-se que as escolas também venham e se apropriem do IFG como espaço educativo”, afirma.
Formação qualificada e integrada
Para estudantes do curso de Pedagogia Bilíngue participantes do “Espaço Literar”, os benefícios são muito positivos, considerando a graduação que é essencialmente voltada à educação na primeira fase do ensino fundamental. As egressas Karla Katiuska Batista Santos e Iracema Moura entraram no projeto quando estavam no úlitmo ano do curso e permanecem na segunda edição. Karla Katiuska conta que, com as demais graduandas participantes, faz a escolha das obras literárias conforme a idade e os interesses das crianças e faz o planejamento metodológico dos encontros, de forma a promover a alfabetização crítica a partir da literatura e da integração entre teoria e prática. “É uma felicidade para mim, como pedagoga bilíngue, participar de um programa de extensão como estratégia de enfrentamento às dificuldades de alfabetização nas escolas públicas da Rede Municipal de Aparecida de Goiânia”, afirma.
Além de contribuir com o estímulo à leitura, com o letramento e a imaginação das crianças, Karla diz que atua na introdução à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a informações sobre a comunidade surda. “Precisei pesquisar e estudar os sinais de Libras que apresentaria em cada história e planejar as atividades. Tudo isso me torna uma pedagoga mais preparada para lidar com as diferenças e necessidades dos alunos. Também aprendi a manter a concentração dos alunos na leitura, mesmo em espaço aberto e cheio de outros estímulos”, explica.
A também já profissional em Pedagogia Bilíngue Iracema Moura conta ter percebido, desde o início de sua graduação, a importância da literatura no processo de alfabetização e na formação dos estudantes, tanto que seu Trabalho de Conclusão de Curso foi desenvolvido nessa área. Para Iracema, a experiência tem sido “extremamente significativa” para sua formação acadêmica e também pessoal. “O que mais gostei foi perceber, na prática, como a literatura pode ser utilizada como uma estratégia de ensino potente, por meio de recursos que desenvolvem, nas crianças, a capacidade de interpretar, compreender e atribuir sentidos às informações, inclusive aquelas apresentadas de forma visual”, afirmou.
Iracema aponta aspectos que ela considera serem muito positivos do trabalho, como o fato de as leituras acontecerem fora da rotina da sala de aula e de a literature ser apresentada de forma bilíngue. Ela diz que as crianças pedem para continuar, o que demonstra envolvimento e comprova o poder do projeto em despertar o gosto pela leitura e aproximar os estudantes da literatura.
Outros cursos envolvidos
A presença de estudantes e profissionais de diferentes cursos enriquece muito o trabalho. A opinião é manifestada pelo professor Wellington Cardoso, da Pedagogia Bilíngue, e por acadêmicas de Engenharia Civil participantes do projeto. Bianca Mota e Nicole Neves são algumas das futuras engenheiras que integram o Espaço Literar e, desde a primeira edição, atuam com outras estudantes e professoras do curso na elaboração dos espaços de leitura, a partir de visitas in loco para medição e coleta de dados relativos ao ambiente de cada escola participante, levantamento de quantitativos de materiais necessários e estimativa de custos. Bianca Mota avalia que o contato interdisciplinar com pessoas de outras áreas abre a visão para “interpretações de diferentes mundos” e vê os benefícios do projeto tanto para as crianças alcançadas como para os estudantes e profissionais envolvidos.
“Acredito muito no poder de transformação da educação e na relação da leitura recreativa com o "gosto" pelos estudos, acredito que o projeto fará bem a inúmeras crianças e só posso ser grata pela oportunidade de ter alguma relação com todo este feito”, destacou Bianca. Sua colega Nicole ressalta que como estão trabalhando em escolas com diferentes características, acabam desenvolvendo muito a prática da tomada de decisões que sejam adequadas ao projeto e público atendido, o que é fundamental para a profissão.
A participação de estudantes do curso Técnico em Modelagem do Vestuário está proporcionando um importante diferencial para o programa Espaço Literar. Sob a supervisão de professores da área, futuras técnicas em Modelagem estão produzindo materiais personalizados com a marca do programa. A estudante Rosilene Aparecida Gonçalves Lima, do 5º período, pro exemplo, também está participando desde a primeira edição, em atividades como a preparação de moldes, cortes e acabamentos de bolsas, estojos e sacolas. “Trabalhar em equipe é um desafio, mas está sendo bom. E pelo fato de ter bolsa, esse valor está sendo muito importante para mim. É muito importante o reaproveitamento (…) para o meio ambiente”, afirma. Rosilene diz que considera os aprendizados para a formação em Modelagem e para a propria vida.
Recursos e continuidade
Para a organização dos espaços e pagamento de bolsistas, além da previsão de lançamento de livros, eventos acadêmicos e reestruturação de espaços físicos das escolas municipais contempladas, o programa Espaço Literar está se valendo de recursos provenientes de diferentes fontes. A primeira edição foi operacionalizada com recursos próprios do IFG, na ordem de R$ 8.000,00, por meio do Edital nº05/GEPEX/IFG/APARECIDA vinculado ao Edital 04/2023/PROEX/IFG. A segunda edição está sendo realizada com recursos provenientes da Emenda Parlamentar nº 1447/2023, na ordem de 100.000,00 reais, concedida pelo deputado estadual Mauro Rubem (PT). De acordo com o coordenador do projeto e do curso de Pedagogia Bilíngue, foi confirmada a continuidade dos investimentos pelo parlamentar, para a terceira edição do Espaço Literar.
O professor João Ferreira Araúo destaca que os recursos estão sendo fundamentais. A aplicação é em bolsas de R$ 700 para estudantes de graduação e de R$ 300 para estudantes de ensino médio, além do investimento em materiais como banners de lona, coletes, ecobags e camisetas, e para os projetos de engenharia/arquitetura.
O Espaço Literar também conta com uma proposta de campanha para arrecadação de obras literárias, que deverá ser desenvolvida no ano de 2026. Para os organizadores do projeto, a ação está contribuindo efetivamente para a construção e ampliação de uma cultura leitora no IFG e nas escolas de Aparecida de Goiânia. “Praticamente todos os componentes ou grande parte deles são oriundos da escola pública. Então, a gente devolver pra escola pública aquilo que nós recebemos através desse projeto é muito gratificante”, afirma o professor Wellington Cardoso de Oliveira.
Coordenação de Comunicação Social e Eventos / Câmpus Aparecida de Goiânia


Redes Sociais