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19º SICT

“Precisamos de soberania nacional e soberania digital”, defende pesquisador de IA

Painel de abertura do 19º SICT tratou da IA na educação e do colonialismo digital predominante

  • Publicado: Quarta, 14 de Outubro de 2026, 18h32
  • Última atualização em Quarta, 14 de Outubro de 2026, 18h42
Professora Cláudia, do IFG, e professor Walter, da UFRS, falaram sobre a IA na educação, a ideologia californiana e a invisibilização das mulheres na pesquisa tecnológica
Professora Cláudia, do IFG, e professor Walter, da UFRS, falaram sobre a IA na educação, a ideologia californiana e a invisibilização das mulheres na pesquisa tecnológica

O professor Walter Lippold, da Universidade Federal do Rio Grandes do Sul (UFRS) e a professora Cláudia Araújo, do Instituto Federal de Goiás (IFG), defenderam o uso da inteligência artificial e apontaram problemas que a envolvem em painel que abriu o 19º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica do IFG, na tarde desta quarta-feira, 14 de outubro, no Câmpus Aparecida de Goiânia. Walter enfatizou os malefícios do modelo proprietário, imposto pelas grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício, e Cláudia tratou das questões de gênero na pesquisa, ressaltando a invisibilização das mulheres.

Os dois são pesquisadores de IA e participaram do painel “Inteligência artificial da educação: ideologia californiana e evangelismo tecnológico”, que atraiu pesquisadores, professores e estudantes participantes do 19º SICT, além de gestores do IFG. Walter foi taxativo ao afirmar que a tecnologia da IA é importante e útil e igualmente taxativo ao criticar a “ideologia californiana”, que criou e exportou o modelo proprietário, no qual o uso da IA gera riqueza para as empresas. “O conhecimento é livre, coletivo e deve ser acessível a todos”, afirmou.

Segundo ele, a ideologia californiana, criada no Vale do Silício (EUA), prega a ideia do “faça você mesmo”, do trabalho como liberdade, mas que esconde a exploração do trabalho humano também para a área de tecnologia, incluindo o aprendizado de máquinas. “O que nós precisamos é de buscar outras alternativas e de criar as nossas próprias alternativas. Precisamos pensar no nosso modelo de ecossistema de IA brasileira. Eu defendo a soberania nacional e a soberania digital”, frisou.

Walter disse que não podemos ser “tecnofóbicos”, porque nenhuma IA vai tomar consciência e se voltar contra o ser humano. “Isso é coisa da ficção científica”, disse citando filmes famosos, como Blade Runner, e livros, como Frankestein, escrito por Mary Shelley, no século 19. Para ele, essa questão existencial é uma “cortina de fumaça” que encobre os reais problemas da tecnologia, especialmente os problemas ambientais e trabalhistas.

Ele ressaltou que devemos pensar em como utilizar a IA e quais IAs devemos usar. O problema, apontou, é que estudantes e também professores estão “afundados no uso de IA e, pior, no modelo proprietário”. Conforme disse, os estudantes estão perdendo a autoria do que produzem ao utilizar a IA indiscriminadamente. “Se eu delego minha reflexão à IA, eu vou perdendo o raciocínio lógico, a capacidade de análise, de síntese, e a minha consciência”, alertou.

Vítimas

O professor também criticou a invisibilização das mulheres no desenvolvimento da tecnologia e citou a pesquisadora Ada Byron Lovelace, primeira programadora da história. O tema da invisibilização das mulheres reforçado pela professora Cláudia Araújo, que também citou Ada e outras mulheres de destaque na pesquisa na área tecnológica, entre elas, muitas brasileiras.

Cláudia contou que pesquisa IA há 12 anos e que, no início, tinha medo de apresentar os resultados do seu trabalho, porque lhe diziam que mulher não tinha voz. E destacou a importância do tema central do 19ª SICT, “Ciência Delas”, para reafirmar que as mulheres devem estar onde quiserem e estão presentes na pesquisa, apesar dos muitos obstáculos ainda existentes.

A professora informou que 70% dos pesquisadores de IA são homens, brancos e do Norte Global e que somente 3% das pesquisas sobre IA são feitas no Sul Global. Cláudia disse que as mulheres são vítimas da discriminação, de questões socioeconômicas, da hegemonia cultural e, mais recentemente, do uso malicioso da sua imagem. “Mulheres e adolescentes são as principais vítimas das imagens de nudez geradas por IA”, alertou.

A professora Lorena Rosa, a professora Lilian Pascoa e o professor Brito participaram da mesa de abertura do 19º SICT
A professora Lorena Rosa, a professora Lilian Pascoa e o professor Brito participaram da mesa de abertura do 19º SICT

O painel sobre IA foi precedido da solenidade de abertura do 19º SICT, que contou com a participação do diretor executivo do IFG, professor Wanderley Brito, representando a reitora Oneida Cristina Barcelos Irigon; da professora Lorena Rosa, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, e da professora Lilian Pascoa, gerente de Pesquisa do Câmpus Aparecida de Goiânia, representando o diretor-geral, professor Marcos Flávio Mércio de Oliveira.

Também houve uma apresentação da Cia Ju Cata-Histórias. A dupla Juliana Mado e Vinícius Bolivar animaram o público com canções trava-língua e também contaram a história da mulher fiadeira que fiava sua própria realidade.

O 19º SICT continua nesta quinta-feira com apresentações de trabalhos de iniciação científica de estudantes dos 14 câmpus do IFG.

 

Diretoria de Comunicação Social/Reitoria

 

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