“Criação dos institutos federais foi o fato mais importante que ocorreu na educação brasileira”
Professor Eliezer Pacheco falou da singularidade dos IFs e disse que se educação não é libertadora, não é educação
Ele esteve à frente da concepção e implantação dos institutos federais e dez anos depois fala com muito entusiasmo sobre esse novo modelo de instituição de ensino, criado no Brasil a partir da educação profissional e tecnológica, mas que busca criar novos paradigmas para essa educação. O professor Eliezer Pacheco, ex-secretário da Educação Profissional e Tecnológica do MEC, foi o conferencista da abertura do Congresso Institucional do IFG, ontem (25) de manhã.
Antes de tratar dos institutos federais, ele falou da educação. Primeiramente apontou as dificuldades atuais: o país está vivendo uma maré conservadora, que afeta a educação, e é cada dia mais difícil o processo de ensino-aprendizagem em plena revolução tecnológica e científica. “A escola não produz nem consegue sistematizar um conhecimento para a vida toda do aluno”, resumiu.
Mas em seguida, Eliezer apresentou, citando o educador Paulo Freire, o que considera ser o papel da escola e da educação: ensinar as pessoas a interpretar o mundo e a agir para sua transformação. E o papel dos institutos federais, afirmou, é preparar o educando para ser protagonista da história; para, a partir do conhecimento vigente, ser capaz de discuti-lo e de produzir novos conhecimentos.
Eliezer afirmou que a criação dos institutos federais foi uma necessidade surgida no governo do então presidente Lula, que teve um projeto relativamente modesto, mas assentado do desenvolvimento econômico com inclusão social, na democracia e da soberania nacional. Para impulsionar o desenvolvimento econômico e a inclusão social, disse, a opção fundamental foi investir na educação. “O orçamento do MEC passou de R$ 16 bilhões para R$ 100 bilhões”, lembrou.
Outro aspecto determinante, afirmou, foi a crise das universidades públicas brasileiras que não davam sustentação ao projeto nacional em curso. “Os institutos federais foram amplamente discutidos por toda a rede, mas a discussão de um novo modelo fosse na universidade, estariam discutindo até hoje”, criticou.
Ele criticou também a hierarquização dos saberes correspondente à hierarquia da sociedade. “Os institutos federais rompem com essa hierarquização. A educação profissional não é só mais formação de mão de obra para o mercado (e isso não é papel do estado). Passamos a tratar o trabalho enquanto princípio educativo, a prática social como critério de conhecimento e a formação humana integral como base.”
Desafios
Eliezer enfatizou que os institutos federais não são universidades, porque têm uma proposta diferente. “Não somos melhores nem piores, mas somos outra coisa”, disse. Segundo ele, educadores diversos têm apontado para a singularidade dos institutos federais e para o papel social que têm cumprido. “Durante algum tempo eu tive receio de afirmar, mas agora nem sou só eu quem diz: a criação dos institutos federais foi o fato mais importante que ocorreu na educação brasileira”, frisou.
Ele lembrou que os institutos federais têm como pilares a verticalidade (oferta da educação básica à pós-graduação, possibilitando a continuidade dos estudos); a territorialidade (comprometimento com o desenvolvimento sustentável de seu território) e a transversalidade (diálogo com a sociedade e tecnologia como elemento transversal).
Também citou o que considera serem os maiores desafios dos institutos federais: consolidar sua institucionalidade/identidade; consolidar educação integral; integrar ensino, pesquisa e extensão; ofertar licenciaturas diferenciadas; melhorar a integração com a sociedade; relacionar-se com outras instituições da rede pública; relacionar-se com o setor empresarial, mas controlando a agenda; atuar em rede; manter e ampliar a qualidade do ensino; democratizar o acesso e assegurar a permanência do estudante e enfrentar a hostilidade de governos conservadores/neoliberais.
Diretoria de Comunicação Social/Reitoria.
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