Artigo de professores do Câmpus Formosa sobre uso supervisionado de inteligência artificial na educação é publicado em revista renomada
Estudo apresenta conceitos inéditos de “protagonismo estudantil digital”, “temáticas empreendedoras inovadoras” e “recursos digitais ativos e passivos”
Dois professores do Câmpus Formosa do Instituto Federal de Goiás (IFG), Diego Alves Rodrigues e Mario Teixeira Lemes, guiados pelas suas experiências com o ensino e conhecimento das áreas de química e informática, tiveram artigo científico publicado na última edição da Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância (RBAAD). A revista é classificada com Qualis A2, a segunda maior classificação de periódicos científicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O artigo “Uso de ambientes virtuais de aprendizagem, inteligências artificiais e temáticas empreendedoras inovadoras no ensino de química” tem relação direta com o trabalho desenvolvido por Diego Rodrigues frente à Coordenação da CRIAR Incubadora do Câmpus Formosa e suas atividades de ensino. A partir de observações realizadas durante o desenvolvimento do projeto de extensão “Ações interdisciplinares socioempreendedoras de sensibilização, prospecção e pré-incubação regional do Núcleo Incubador do Câmpus Formosa” com estudantes dos cursos Técnico Integrado em Biotecnologia e Saneamento e Licenciatura em Ciências Biológicas, Diego pôde dar início à pesquisa, ainda em 2024.
“As diferentes tecnologias educacionais podem ser integradas em uma proposta pedagógica capaz de transformar um ambiente. O estudante é um agente ativo da construção do conhecimento”, afirma o professor Mario Lemes.
Na época, o professor era um dos alunos do curso de Especialização em Tecnologias Educacionais e Educação a Distância, proposto pelo IFG em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi pensado a partir das atividades desenvolvidas com a CRIAR e a sala de aula. “Fiz esse mix, essa integração do trabalho desenvolvido ao longo dos quatro anos na coordenação do CRIAR Núcleo Incubador Formosa e do trabalho que eu desenvolvi em sala de aula, com as tecnologias educacionais, utilização dos AVAs, os ambientes virtuais de aprendizagem, como no nosso caso, o Moodle, as temáticas empreendedoras, inovadoras, que a gente abordou transversalmente nos projetos de extensão, que os alunos também participaram”, esclareceu Diego.
O artigo publicado recentemente conta com a participação do professor de informática do Câmpus Formosa, Mario Lemes, que deixou suas contribuições técnicas acerca das inteligências artificiais (IAs) ChatGPT, Gemini e Copilot. “A informática é um pilar central, mesmo que o foco principal tenha sido o ensino de química. Ela aparece como um elemento mediador que vai conectar os estudantes, os professores, o conteúdo e até as práticas empreendedoras”, justificou Lemes. “Grande parte das metodologias propostas foi baseada nos recursos computacionais. Ela foi importante para viabilizar os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), para permitir o uso de IA, também para utilização dos softwares educacionais e para apoiar os projetos empreendedores”, concluiu.

Estudantes desenvolvem proposta do professor Diego
Pesquisa
Em sala de aula e durante a aplicação do projeto de extensão, Diego utilizou AVAs, IAs e Temáticas Empreendedoras Inovadoras (TEIs) para propor aos estudantes de Biotecnologia e Saneamento um trabalho final: a criação de uma empresa fictícia baseada em conceitos químicos estudados, com o auxílio de IAs e da plataforma Canva. Após as observações, ele extraiu a percepção dos estudantes sobre o uso da metodologia adotada, das tecnologias educacionais e como isso se refletiu na aprendizagem empreendedora.
“De modo presencial, o professor vai acompanhar os desafios e os trabalhos propostos aos alunos mediante o uso crítico e ético das respostas obtidas pela inteligência artificial”, explicou um dos autores do artigo, Diego Rodrigues.
O estudo verificou que, os estudantes podem apresentar um melhor engajamento na disciplina de Química com o uso de AVAs e de ferramentais digitais. Além disso, as inteligências artificiais podem ajudar na elaboração de conteúdos e na resolução de desafios educacionais; e as temáticas empreendedoras e de inovação permitem que a ciência seja relacionada a problemas da sociedade e do mercado.
Novidades
O resultado da pesquisa levou a conceitos inovadores na educação, como “protagonismo estudantil digital”, “recursos digitais ativos protagonistas e passivos coadjuvantes”, “propostas pedagógicas empreendedoras” e “temáticas empreendedoras inovadoras”. Baseado nos teóricos Vygostsky, José Manuel Moran, Klaus Schwab, David Paul Ausubel e outros da área, Rodrigues e Lemes definiram os termos (veja quadro abaixo).
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CONCEITO |
SIGNIFICADO |
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Protagonismo Estudantil Digital |
Processo atitudinal dinâmico, colaborativo, proativo, carregado de interação social e digital, mediado por tecnologias digitais, que propiciem a personalização da aprendizagem ativa e significativa dos indivíduos para a atuação crítica frente ao conhecimento científico e as tecnologias disponíveis em determinado momento socio-histórico. |
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Recursos Digitais Passivos Coadjuvantes |
Conjunto de atividades dentro dos AVAs que necessitam de habilidades de leitura e interpretação, sendo de fundamental importância no conhecimento, entendimento e aplicação de conceitos científicos presentes em um processo dinâmico de ensino-aprendizagem de forma autônoma e atemporal, mediante o uso de salas de aulas virtuais. |
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Recursos Digitais Ativos Protagonistas |
conjunto de atividades em um AVA que necessitam de habilidades como visualizar, refletir, assistir, praticar, criar soluções, resoluções de problemas, escrever, produzir textos, comentários, respostas, debates, avaliações e sínteses; bem como a habilidade de se expressar na oralidade compartilhando conhecimentos socialmente. |
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Propostas Pedagógicas Empreendedoras (PPEs) |
Ações pedagógicas que estimulem, mediado pelo conhecimento científico, o desenvolvimento de competências e habilidades como criatividade, resolução de problemas, pensamento estratégico, com a prática de aplicar o conhecimento científico de forma criativa, proativa e protagonista; sejam em projetos, experimentos, soluções inovadoras ou na proposição de negócios e empreendimentos inovadores. |
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Temáticas Empreendedoras Inovadoras (TEIs) |
Temáticas empreendedoras diversas, que de modo transversal e integrado ao conhecimento científico, propiciem discussões e reflexões quanto a conceitos e metodologias empreendedoras, estimulando soluções inovadoras a situações contemporâneas e desafios sociais, que ao mesmo tempo estimulem o protagonismo estudantil, utilizando de competências e habilidades específicas para atuações críticas e proativas. |
Diego pontua que os termos são novos na educação e que há uma escassez de produções científicas sobre o uso de inteligências artificiais: “Há esse certo receio da área de educação em trazer essas temáticas para a discussão, devido a questões capitalistas, devido a uma série de questões ideológicas mesmo”. “A educação empreendedora, juntamente com o uso das inteligências artificiais dentro de sala de aula, são temas novos, então a gente trouxe à discussão temas inovadores”, complementou.
Diante dos resultados, o estudo aponta caminhos para a educação: inteligências artificiais passam de algozes a aliadas no processo ensino-aprendizagem; professores se tornam mediadores críticos; estudantes são protagonistas da sua própria instrução digital; empreendedorismo entra de vez para o cenário educacional como propulsor de competências e novos conceitos são elaborados para discussões educacionais contemporâneas.
Revista
A Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância (RBAAD) é uma publicação científica eletrônica de abrangência internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) voltada à pesquisa e às inovações em educação digital, híbrida e a distância.
Confira aqui o artigo “Uso de ambientes virtuais de aprendizagem, inteligências artificiais e temáticas empreendedoras inovadoras no ensino de química”.
Coordenação de Comunicação Social/Câmpus Formosa
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