Encontro de mulheres indígenas e quilombola discute os desafios de viver na cidade
Transmitido pelo YouTube o encontro foi mediado pela professora Mirna Anaquiri
“Estar na cidade só afirma mais quem nós somos, porque aqui não podemos nos esquecer um só minuto quem somos, a luta de reafirmação de nossa identidade é constante”, foi assim que Evelin Tupinambá sintetizou sua vivência na cidade ao relatar sua experiência no "Encontro Mulheres Terra: vivências e resistências na cidade” transmitido ontem, dia 24/11, simultaneamente pelo canal do YouTube do IFG-câmpus Cidade de Goiás e da Universidade Federal de Goiás (UFG).
“Comungar com mulheres potentes, guerreiras é fundamental, um verdadeiro processo de cura, compartilhar os trabalhos, torna as coisas mais leves e nos faz retornar para nossa ancestralidade, pra quem nós somos”, explicou Evelin Tupinambá.
A mediadora da conversa, que incluiu a estudante quilombola Kalu Oliveira, foi a professora da licenciatura em Artes Visuais do IFG Mirna Anaquiri que também possui ancestralidade indígena. As três mulheres contaram suas experiências de vida na capital Goiânia, suas buscas por suas origens e seus laços de afeto com outras mulheres, o que permitiu o fortalecimento de um coletivo de troca de experiências e solidariedade mútua entre elas.
Ao falar de sua experiência como estudante do curso de medicina da UFG, Kalu Oliveira ressaltou o sentimento de solidão por não se reconhecer numa turma de estudantes majoritariamente branca. “É um constante sentimento de não pertencimento, de solidão por não ter pessoas como nós, mesmo com o sistema de cotas ainda somos poucos, parei de me sentir tão sozinha quando conheci a união de estudantes e quilombolas e indígenas da universidade”.

A professora Mirna relatou sua trajetória de busca por incluir o nome de seu povo em sua identidade por meio de processo judicial. “Senti que precisava fazer isso para me conectar com minha ancestralidade”. Ela também falou da importância da educação para que todos valorizem as identidades indígenas e quilombolas e reconheçam a centralidade da mulher nas lutas identitárias.
O evento faz parte do projeto de Ensino/Extensão do câmpus “Das margens ao Centro da roda de conversa” do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro, Indígena, de Gêneros e Sexualidades do IFG Cidade de Goiás (Neabinuances) e também do ciclo de lives “Vozes Damianas”, aprovado no edital 19/2018 do Fundo de Cultura de Goiás.
Estava prevista a participação de Ô-é Paiakan Kaiapó, liderança do povo kaiapó, que não foi possível por causa da falta de conexão com a internet.
Um pouco sobre a trajetória de cada participante
Mirna Kambeba Omágua Yetê Anaquiri pertence aos povos originários do Brasil. É uma artista em construção, uma aprendiz das águas, das artes e da vida. Mirna é integrante da Coletiva de Mulheres Indígenas e Negras Quilombolas, é artista visual, performer, arte-educadora. É ativista do movimento indígena, que luta por uma educação antirracista. Professora no curso de Artes Visuais do IFG – câmpus Cidade de Goiás
Kalu Oliveira pertence à comunidade quilombola Kalunga Engenho II, situado no município de Cavalcante-Goiás. É uma mulher negra, quilombola, lésbica, produtora cultural, artesã, cineclubista e ativista social. Atualmente faz graduação de Medicina, na UFG e mestrado em Antropologia Social na mesma instituição. Possui graduação em Biomedicina pela UFG (2015). É integrante do Coletivo Feminista Rosa Parks, da Coletiva de Mulheres Indígenas e Negras Quilombolas e Grupo de Estudos Perspectivas Kilombistas e criadora e integrante do Cine Club Kalunga Goiás.
Evelin Tupinambá pertencente ao povo Tupinambá de Mairi que se localiza na região norte e está em processo de retomada. É mulher indígena, mãe, artista visual, musicista, ativista do movimento indígena há 24 anos. É graduanda em Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e também é Massoterapeuta. Participou do grupo de samba Mbandi como percussionista, foi proponente da performance "Ancestrais" apoiada pela Lei Audir Blanc em 2020. A artista desenvolve trabalhos e pesquisas em questões étnicos raciais, performances e música e atualmente está em processo de construção e retomada de sua trajetória dentro do movimento indígena.
Ô-é Paiakan Kaiapó é liderança Kayapó com formação em Serviço Social e Mestranda em PPGSA/UFPA
Comunicação Social/câmpus Cidade de Goiás
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